São Paulo - Os rebeldes sírios acusaram ontem o regime do ditador Bashar Al Assad de ter transferido armas químicas aos aeroportos fronteiriços, um dia depois de Damasco ameaçar utilizar estas armas em caso ''de agressão estrangeira''.
''Nós, no comando conjunto do Exército Sírio Livre (ESL), sabemos perfeitamente o local onde se encontram estas armas e sua localização, e revelamos que Assad levou algumas destas armas e equipamentos para misturar compostos químicos em direção a aeroportos na fronteira'', indicou hoje o ESL em um comunicado.
''Segundo nossas informações, há meses o regime começou a deslocar reservas de armas de destruição em massa (...) com o objetivo de pressionar a região e a comunidade internacional'', que pedem incessantemente a Damasco que coloque fim à repressão que ocorre há 16 meses, afirmam os insurgentes.
Na segunda-feira, o regime sírio reconheceu pela primeira vez que possui armas químicas e ameaçou utilizá-las em caso de intervenção militar ocidental, mas jamais contra sua população, desencadeando imediatamente advertências da comunidade internacional.
O porta-voz do Pentágono, George Little, respondeu, afirmando que os sírios ''não devem sequer pensar por um segundo em usar armas químicas'' e descreveu essa possibilidade como ''inaceitável''.
''Quando as armas químicas são mencionadas na imprensa por autoridades sírias, isso levanta preocupações'', disse Little. ''Nós nos oporemos fortemente - e isso é um eufemismo - a qualquer discussão que tente justificar o uso dessas armas pelo regime sírio'', prosseguiu.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, afirmou que a comunidade internacional continuará seguindo com atenção a situação na Síria para prevenir contra uso de armas químicas. Já o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, alertou o regime de Assad de que cometerá um ''erro trágico'' e deverá ''prestar contas'' caso decida utilizar armas químicas.
''Considerando o arsenal de armas químicas do regime (sírio), vamos garantir que Assad e seus assessores saibam que o mundo os assiste, e que eles deverão prestar contas perante a comunidade internacional e aos Estados Unidos caso cometam o erro trágico de usá-las'', afirmou Obama.
Refugiados
Nos últimos três dias, mais de 5 mil sírios se refugiaram na Jordânia para escapar da violência em seu país, disse uma ONG jordaniana que já ajudou mais de 50 mil refugiados. Ontem de manhã, 1,5 mil sírios foram para Ramtha, cidade que faz fronteira com a Síria, declarou Zayed Hamad, dirigente da Associação do Livro Sagrado e da Tradição do Profeta.
A Jordânia afirma já ter recebido mais de 140 mil refugiados do país vizinho, dos quais 36 mil são reconhecidos oficialmente pela ONU. Anteriormente, a Jordânia acolhia a cada dia de 300 a 600 refugiados sírios. ''Agora estamos falando de mais de 1,2 mil pessoas por dia'', disse Andrew Harper, do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Segundo opositores sírios, mais de 19 mil pessoas morreram nos 16 meses de revolta no país.

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