São Paulo - O ditador sírio, Bashar Assad, prometeu ontem que realizará eleições na Síria em maio ou junho deste ano, mas que não sucumbirá ''à pressão das forças estrangeiras'' que ''conspiram'' para que ele deixe o poder. Segundo ele, uma nova Constituição será proposta no país, e deverá se submeter à avaliação popular por meio de um referendo que acontecerá em março. Depois disso, ele prometeu que ocorrerão eleições parlamentares.
Assad garantiu em discurso televisionado pela emissora estatal que não vai deixar o poder, insistindo que ainda possui o apoio popular. ''Nós vamos declarar vitória em breve'', ressaltou. ''Quando eu deixar esse posto, isso será baseado na vontade do povo''.
Em seu primeiro pronunciamento público desde junho do ano passado, Assad afirmou que há ''planejamento estrangeiro'' por trás dos protestos contra seu regime, mas que as forças de fora do país ''não conseguiram fincar pé na revolução pela qual ansiavam''.
O ditador defendeu que não há divisão interna na Síria, apesar de haver grupos militantes terroristas tentando desestabilizar sua autoridade, e colocou a segurança nacional como prioridade de seu regime. Assad garantiu que não houve ordens para qualquer membros de suas forças atirarem em cidadãos.
Segundo ele, forças externas tentam desestabilizar o país, e está claro para todos a conspiração que existe contra seu regime. ''Interesses regionais e internacionais que estão tentando desestabilizar a Síria não podem mais falsificar os fatos e os eventos'', reforçou.
Com base em tal ''conspiração'' externa, o ditador também justificou a proibição da mídia internacional de atuar livremente pelo país. Segundo ele, a pressão estrangeira se faz agir também por meio das notícias jornalísticas sobre a Síria. Por isso, sem o controle da mídia, os jornalistas fariam uma propaganda exagerada, assustando a população.
''Decidimos selecionar quem poderia entrar no país para fazer jornalismo para evitar que as forças externas influenciem e assustem o povo sírio'', defendeu.
Assad criticou ainda a Liga Árabe, se dizendo surpreso pelo fato de os árabes terem ficado contra a Síria e não ao lado dela. Mas, segundo ele, os membros da organização não tiveram liberdade para decidir isso porque também estão sob pressão.

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