São Paulo - O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, chamou de ''uma vitória importante'' a concessão de asilo político outorgada pelo Equador ontem. O australiano continua na embaixada do país em Londres.
''Apesar da decisão de hoje (ontem) representar uma vitória histórica, nossos problemas acabam de começar. A investigação sem precedentes dos Estados Unidos contra o WikiLeaks deve parar'', declarou.
Em declarações feitas a funcionários da representação do país sul-americano, ele agradeceu a decisão do presidente Rafael Correa e aproveitou para criticar o Reino Unido e a Austrália, país do qual é cidadão.
''Não foram nem o Reino Unido nem meu país natal, a Austrália, os que se levantaram para me proteger da perseguição, mas uma valente nação independente latino-americana.''
Ele ainda fez referência ao militar americano Bradley Manning, que é acusado por passar informações das Forças Armadas e Departamento de Estado dos Estados Unidos e que está preso há mais de dois anos sem ter sido julgado pelo vazamento de informações. ''A tarefa de proteger o WikiLeaks, seus empregados, simpatizantes e fontes continua.''
Reação
O chanceler do Reino Unido, William Hague, por sua vez, afirmou que o governo britânico não permitirá a saída de Julian Assange da Inglaterra. O australiano obteve asilo diplomático do Equador após ficar dois meses abrigado na embaixada do país em Londres, alegando perseguição política.
Para Hague, ''não há base legal'' para permitir a saída do ativista e acusou Assange de usar o pedido de refúgio como uma forma de fugir das acusações de estupro que sofre na Suécia, para onde deveria ser extraditado.
O ministro descartou qualquer associação do processo de estupro com os vazamentos feitos pelo WikiLeaks ou com o desejo dos Estados Unidos de julgá-lo pela publicação de documentos diplomáticos secretos. Ele considera que a situação pode durar muito tempo e não há nenhuma ameaça de invasão à embaixada do Equador, apesar das acusações de Quito.
Mais cedo, o Foreign Office havia dito que estava ''decepcionado'' com a decisão anunciada pelo chanceler Ricardo PatiÀo. ''Estamos desapontados com a declaração do ministro de Relações Exteriores do Equador, de que o país ofereceu asilo político a Julian Assange'', afirmou o porta-voz do Departamento de Relações Exteriores britânico.
De acordo com o Foreign Office, o país é ''obrigado'' a extraditar Assange à Suécia, devido ao esgotamento das instâncias judiciais usadas pelo australiano para se defender contra a acusação de estupro no país nórdico e que a decisão equatoriana não muda esse objetivo.
''Sob a legislação britânica, o senhor Assange exauriu todas as suas opções de apelação e as autoridades britânicas têm a obrigação de extraditá-lo para a Suécia. Nós devemos realizar esta obrigação'', acrescentou o porta-voz.

Imagem ilustrativa da imagem Asilo político é ‘vitória importante’
mockup