Asilo de senador boliviano no Brasil causa polêmica
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domingo, 25 de agosto de 2013
France Presse 
La Paz - A chegada do senador boliviano Roger Pinto ao Brasil, após mais de um ano de asilo na embaixada brasileira em La Paz, provocava polêmica ontem, com o governo da Bolívia exigindo informações sobre a "fuga" do político, condenado pela Justiça.
"Estamos pedindo informações oficiais, tanto ao governo do Brasil como a outras autoridades (locais), sobre como se produziu a fuga de Pinto", disse a ministra boliviana da Comunicação, Amanda Dávila.
Segundo o ministro boliviano de Governo, Carlos Romero, o senador Pinto teria fugido por Corumbá, no Mato Grosso. "Supomos que ele tenha saído por via terrestre, através de algum acesso sem posto de controle migratório, de forma que agora ele é considerado foragido". Carlos Romero afirmou que o senador abandonou "o país ilegalmente, com contas a acertar na justiça", e que os procedimentos legais serão aplicados. O ministro disse ter confiança de que "a embaixada (do Brasil na Bolívia), pelos canais diplomáticos, dará as devidas explicações". Romero informou que pediu, mediante a polícia boliviana, que o governo alerte a Interpol, não apenas porque há "uma sentença e a proibição de saída" do senador Pinto, como também pela "entrada em um país vizinho sem realizar o registro oficial de saída da Bolívia". Já o ministro boliviano da Presidência, Juan Ramón Quintana, declarou que Pinto "fugiu como um delinquente vulgar", e não como um senador da República.
"Não sabemos como escapou, mas trata-se da fuga de um delinquente porque é acusado penalmente" aqui na Bolívia. "Pensávamos que o senador Roger Pinto se apresentaria à justiça para se defender".
Pinto, que chegou à Brasília na madrugada de domingo, agradeceu "ao Brasil e as suas autoridades" pela concessão do asilo político. "Espero que prossiga meu asilo. Tenho asilo e espero que continue".
Apesar da confusão diplomática criada pela saída do senador ao Brasil, o governo em La Paz garantiu que as relações entre os dois países não serão afetadas, embora uma explicação oficial de Brasília seja aguardada.
A ministra Dávila garantiu, em coletiva de imprensa, que "o governo boliviano e o presidente Evo Morales sempre expressaram, e continuam o fazendo, todo seu afeto e respeito pela presidente (Dilma) Rouseff, e pelo governo brasileiro".
A saída do senador do território boliviano não foi, segundo a ministra, negociada. "Nenhuma permissão foi outorgada a ele". Ela explicou que por trás do caso Pinto "existem interesses políticos" de setores "ultra-conservadores" tanto da Bolívia quanto do Brasil. "É um caso que se criou de maneira fictícia com informações falsas enviadas ao governo brasileiro por parte de sua embaixada em La Paz", acrescentou Dávila.
Em entrevista a um canal de televisão privado, a ministra culpou o ex-embaixador do Brasil na Bolívia Marcel Biato pelo envio de informações distorcidas.
A chancelaria brasileira investigará a saída de Pinto da Bolívia e sua entrada no Brasil, onde recebeu asilo político, anunciando que "tomará as medidas administrativas e disciplinares correspondentes", disse o Itamaraty em nota ontem.


