Arquivo complica ainda mais a vida de Augusto Pinochet
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domingo, 27 de dezembro de 1998
fotoAugusto Pinochet: Operação CondorAgência Reuters 
O debilitado Augusto Pinochet, que compareceu a um tribunal londrino em uma cadeira de rodas, ainda era um déspota em perfeitas condições de saúde quando a polícia secreta do Paraguai estava diligentemente compilando os Arquivos do Terror.
A história que as 700 mil páginas dos arquivos têm a contar sobre a Operação Condor, o plano de cooperação entre vários ditadores sul-americanos da década de 70 para caçar e matar dissidentes, poderá dar ao ex-ditador chileno de 83 anos pesadelos, se for extraditado para ser julgado por tribunais espanhóis.
A Operação Condor foi inventada por Pinochet como uma forma de repressão que abrangesse todo o continente, disse Martin Almada, o advogado que descobriu os Arquivos do Terror.
Almada testemunhou perante o juiz espanhol Baltasar Garzon, que exigiu a extradição de Pinochet da Grã-Bretanha por genocídio e tortura e também está investigando ex-membros das juntas militares argentinas.
O registro mantido pela polícia secreta do corrupto governante do Paraguai, o general Alfredo Stroessner, foi descoberto em 1992.
Stroessner, que está vivendo seus anos de crepúsculo exilado no Brasil, foi derrubado por um golpe palaciano em 1989, depois de 35 anos de poder absoluto no seu protegido remanso tropical.
O arquivo inclui cerca de 10 mil fotografias de suspeitos políticos procurados e esquerdistas desaparecidos do Paraguai, Argentina, Brasil, Uruguai, Chile e Bolívia. Ilustram arquivos sobre as atividades do comunismo internacional.
Um dos casos mais claramente documentados é o do sociólogo chileno Isaac Fuentes, um membro do grupo de guerrilheiros Movimento da Esquerda Revolucionária, capturado em 1975 pela polícia paraguaia que atuava a pedido do governo do Chile.
Fuentes foi preso juntamente com um guerrilheiro de esquerda argentino, Amilcar Santucho, membro do Exército Revolucionário do Povo. Ambos foram interrogados em Assunção antes de desaparecer.
Quanto à Operação Condor, estes arquivos demonstraram a sua existência, negada por todos os governantes da época, com base em um documento oficial, disse Alfredo Boccia, um médico paraguaio que dirigiu a primeira análise oficial dos arquivos.
Tudo indica que a operação começou depois de uma proposta do governo chileno no final de 1975, em uma reunião com as forças armadas da região no Chile, disse Boccia. As provas certamente apontam diretamente para Pinochet.
As ditaduras da América do Sul no geral suspeitavam fortemente umas das outras e grandes orçamentos de defesas tiveram justificativa em antigas disputas por território e tensões regionais.


