Ierevan- Centenas de milhares de pessoas escalaram ontem uma colina em Ierevan, capital da Armênia, em ato para marcar os 90 anos do que os armênios afirmam ter sido o genocídio de 1,5 milhão de seus antepassados pelos turcos.
Levando bandeiras e carregando cravos e tulipas, os armênios se posicionaram ao redor de um memorial circular no qual jogavam as flores em uma pira, enquanto rezavam os armênios possuem uma igreja cristã própria, uma das mais antigas do cristianismo.
Foi observado um minuto de silêncio às 19 horas, e a população colocou velas nas janelas em memória das vítimas. Do alto da colina, as pessoas podiam observar o monte Ararat com enorme importância simbólica para os cristãos armênios , que fica no lado turco da fronteira entre os dois países, em uma região que é reivindicada historicamente pelos armênios como parte do território.
Os armênios afirmam que 1,5 milhão de seus antepassados foram mortos ou morreram em 1915 e nos anos que se seguiram numa ação turca para expulsá-los do que é hoje o leste da Turquia os armênios chamam a região de Armênia Ocidental.
Além disso, centenas de milhares de armênios foram obrigados a deixar o território, indo para países próximos, como a Síria e o Líbano, e também para quase todas as partes do mundo, como os EUA, a Europa e o Brasil.
A Turquia nega que tenha ocorrido um genocídio e afirma que os armênios exageram nos números. Além disso, dizem os turcos, as mortes ocorreram em meio a um levante durante o colapso do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial, em 1915, e pessoas dos dois lados morreram.
A França, a Rússia e muitos outros países já afirmaram que as mortes foram um genocídio, que os armênios comparam ao Holocausto. Os EUA, que possuem uma grande comunidade da diáspora armênia, ainda não reconheceram o genocídio. A Turquia vem sendo pressionada a admitir o genocídio, sendo, inclusive, um dos obstáculos ao ingresso do país na União Européia.
Até hoje, a Turquia e a Armênia não possuem relações diplomáticas. Há um bloqueio na fortemente protegida fronteira entre os dois países. No início dos anos 90, a Turquia ficou ao lado do Azerbaijão na disputa por Nagorno-Karabakh com os armênios.
Metade dos 3 milhões de habitantes da Armênia participou das cerimônias de ontem em diversas partes do país, além de milhares de descendentes que vieram de outras parte do mundo. Ocorreram também celebrações na Síria e na Rússia. Em Istambul, a pequena comunidade armênia se reuniu em uma igreja, mas, publicamente, evitou tocar no assunto do suposto genocídio, que é um tabu na Turquia.
A Armênia, que teve alguns momentos de independência ao longo dos séculos, já fez parte dos impérios persa, romano, bizantino, otomano e russo e foi incorporada à ex-URSS em 1920. Em 1991, após o colapso soviético, a Armênia se tornou independente.

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