Armazém explode e mata americanos em Bagdá
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segunda-feira, 26 de abril de 2004
Agência Folha 
São Paulo - Dois soldados americanos morreram e cinco foram feridos quando um armazém que supostamente servia de depósito para munição química em Bagdá foi quase totalmente destruído por uma explosão, na manhã de ontem, no momento em que era inspecionado pelos militares.
''Há informações de que (os donos do depósito) estariam envolvidos na produção de munição química'', declarou o general Mark Kimmitt, porta-voz das forças americanas no Iraque e vice-comandante de operações. Entretanto, após a explosão, a área não foi isolada -precaução comum no caso de explosões envolvendo produtos químicos tóxicos.
Kimmitt afirmou que, além dos soldados, participavam da ação ''membros de outras organizações'' ligadas à coalizão, sem dizer seus nomes. Testemunhas encontraram no local crachás e documentos do Grupo de Pesquisa Iraquiano, a equipe de especialistas criada em junho passado para buscar o suposto arsenal de armas de destruição em massa do ex-ditador Saddam Hussein, principal justificativa para a guerra, até agora não encontrado.
Após o incidente, iraquianos saquearam o que restou dos quatro veículos militares atingidos pela explosão, e alguns deles - adolescentes sobretudo - comemoraram saltando sobre os destroços.
A explosão ocorreu minutos após os soldados adentrarem o pequeno prédio na zona norte da capital, destruindo toda a fachada. Horas depois, a causa do incidente ainda não era clara.
Com a morte dos dois soldados em Bagdá e de um terceiro em Fallujah, somam 722 os militares americanos que morreram no Iraque desde a invasão, em março de 2003, e 114 os caídos em combate neste mês.
A tensão também recrudesceu em Najaf e em Fallujah, as áreas mais conturbadas do pós-guerra.
Nas cercanias de Najaf (sul), insurgentes dispararam foguetes contra um posto americano. Os EUA reagiram com disparos de helicópteros e forças em terra. Durante a noite, foram ouvidas mais explosões na região.
O impasse na cidade, considerada sagrada pelos xiitas, começou com um levante no início do mês liderado pelo clérigo xiita radical Moqtada al Sadr.
Os EUA, que prometeram prendê-lo ou matá-lo, entraram ontem na cidade pela primeira vez. Embora os comandantes militares tenham reafirmado que não entrarão nos santuários para capturar Al Sadr, temendo disseminar uma revolta xiita, o porta-voz da coalizão, Dan Senor, declarou em Bagdá que escolas, mesquitas e templos seriam alvos legítimos a partir do momento em que forem usados para esconder armas, como a coalizão acredita estar acontecendo. ''A coalizão não vai tolerar essa situação'', disse o chefe da Autoridade Provisória da Coalizão, o americano Paul Bremer.
Cerca de 200 militares dos EUA ocuparam uma base que até então era usada por espanhóis a apenas 6 km dos templos mais importantes da cidade.
A Espanha começou a retirar seus soldados do Iraque na semana passada por ordem do novo premiê, José Luís Rodríguez Zapatero. Seu antecessor, José María Aznar, publicou hoje um artigo crítico em que chama a retirada de ''condescendência''.
''Esse governo escolheu a pior estrada possível quando se está lidando com ameaças'', escreveu o ex-premiê, um veemente aliado dos EUA, para os diários madrileno ''ABC'' e nova-iorquino ''The Wall Street Journal''.
Ao sul de Najaf, na também xiita Diwaniyah, um embate entre tropas remanescentes espanholas e insurgentes resultou na morte de seis iraquianos. Em Karbala, na mesma região, foram disparados tiros contra a comitiva do presidente búlgaro, Georgi Parvanov, que visitou suas tropas no local. Ninguém foi ferido.


