O governo do presidente Fernando de la Rúa passou a enfrentar ontem uma nova onda de protestos contra o ajuste fiscal. Os protestos incluem a paralisação, por 72 horas, das atividades dos funcionários públicos, reunidos na Associação de Trabalhadores do Estado (ATE). Os funcionários públicos foram as primeiras vítimas do pacote de ajuste, que reduziu seus salários em 13%. Com este ajuste, o governo pretende conseguir a meta de déficit fiscal 0%.
Além deles, entraram em greve os professores das escolas públicas e das universidades, que suspenderam as aulas até amanhã. Também entraram em greve os professores das escolas da província de Buenos Aires, que na semana passada receberam seus salários com o corte já aplicado. Em alguns casos, por um erro administrativo, os professores receberam salários de somente US$ 0,48.
Além dos funcionários públicos, milhares de desempregados argentinos mobilizaram-se para protestar. Desde ontem de manhã, uma dúzia de estradas argentinas estão bloqueadas por piquetes realizados por desempregados, que pedem comida e trabalho. A maior parte dos piquetes foi realizada na Grande Buenos Aires, onde está concentrado o total mais elevado dos desempregados do país.
A intenção das lideranças ''piqueteiras'' é que os piquetes sejam realizados por 72 horas, ou seja, até amanhã à noite. Na semana retrasada os piquetes foram realizados por 24 horas, enquanto que na semana passada duraram 48 horas. Os piqueteiros afirmam que continuarão com seus protestos até que o governo suspenda o ajuste fiscal e ceda em suas exigências.
No entanto, as ameaças do governo de processar os piqueteiros acabaram reduzindo a participação dos desempregados nesta terceira etapa de protestos.
Amanhã, os desempregados realizarão uma manifestação na Praça de Mayo, na frente da Casa Rosada, a sede do governo.
Segundo o líder piqueteiro da cidade de La Matanza, na Grande Buenos Aires, Luis D'Elia, o ajuste fiscal só tende a agravar a recessão.
No primeiro dia de protestos, piqueteiros realizaram bloqueios de ruas ao redor do Congresso Nacional, em Buenos Aires, e na frente da residência presidencial de Olivos. Houve protestos nas províncias do Chaco, Tucumán, Jujuy, Catamarca, San Luis, Salta e Mendoza. Segundo o governo, foram realizados 26 piquetes em todo o país.
CrimesUma pesquisa da Universidade de Belgrano indica que por causa da profunda recessão econômica o número de delitos em todo o país tende a disparar nos próximos meses.
Enquanto no ano 2000 o número de delitos na Argentina foi de 3,7 milhões, o equivalente a mais de 10 mil diários, ou 423 por hora, o cálculo da Universidade de Belgrano é que neste ano o número aumentará para 3,93 milhões, e que no ano que vem chegaria a 4,18 milhões.
No ano passado, 41% dos argentinos foram roubados ou assaltados, ou foram vítimas de uma tentativa de delito. O número de ocorrências em todo o país triplicou desde 1991. Nesse mesmo período o desemprego dobrou.

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