France Press‘‘Evita dos anos 90’’Hilda e Eduardo Duhalde, o casal situacionista na Província de Buenos Aires, onde a disputa é mais acirradaA capacidade de manobra do Presidente Carlos Menem para governar seus dois últimos anos e o destino dos candidatos a sucedê-lo começarão a perfilar-se neste domingo, depois das eleições parlamentares mais disputadas da última década na Argentina.
O governante Partido Justicialista (PJ, neoperonista e neoliberal) está invicto desde 1987, quando infligiu a primeira derrota ao presidente radical Raúl Alfonsín (1983-89) em semelhantes eleições de renovação parcial da Câmara de Deputados.
Mas a recém-nascida Aliança para o Trabalho, a Educação e a Justiça, formada pelo radicalismo social-democrata e pela centro-esquerdista Frente País Solidário (Frepaso), desafia pela primeira vez o poder de Menem e o PJ.
Não é inconcebível uma derrota do situacionismo, à luz das últimas pesquisas independentes, que dão três ou quatro pontos de vantagem à Aliança, somados os votos dos 24 distritos, com mais 23 milhões de eleitores em condições de votar.
Mas também não há possibilidades de que mude a correlação de forças dentro da Câmara Baixa, pois no pior dos casos o PJ manterá a maioria suprindo suas perdas com o apoio dos partidos provinciais aliados.
Por que é tão decisiva a eleição de 127 deputados e cerca de 11 mil postos legislativos e comunais? Porque as urnas descerrarão o véu sobre a governabilidade até 1999 e a corrida dos postulantes a presidente.
As atenções serão polarizadas principalmente para a luta entre o peronismo e a oposição na Província de Buenos Aires, que concentra nada menos que 37% dos votos de todo o país.
Somente em um departamento (município) da periferia de Buenos Aires, o Partido da Matança, votam mais de 1,5 milhão de pessoas e é uma tradição de que quem vence ali será também o vencedor em escala nacional.
A disputa mostra de um lado a chapa do PJ encabeçada por Hilda Duhalde, esposa do neoperonista governador de Buenos Aires, Eduardo Duhalde, e considerada a ‘‘Evita dos anos 90’’, com sua política de assistencialismo aos marginalizados, aos menores e às mães sem recursos.
Ela enfrentará a senadora Graciela Fernández Meijide, mãe de um jovem desaparecido por motivos políticos durante a última ditadura militar, e uma das presidenciáveis da Aliança, com sólida imagem na classe média afetada pelo ajuste neoliberal.
Se Hilda vencer por pequena margem, como assinalam as pesquisas, não somente será uma injeção de energia para a candidatura do presidenciável Duhalde em 1999, mas uma dor de cabeça para Menem, ante o governador pela liderança interna do partido governamental.
Um empate técnico (ínfima diferença de votos) ou uma derrota do duhaldismo animarão de fato as candidaturas justicialistas alternativas dos ex-governadores, o cantor Ramón ‘‘Palito’’ Ortega e o aposentado automobilista esportivo Carlos Reutemann.

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