Ativistas lançaram pedras, garrafas e rojões e policiais usaram gás lacrimogêneo e balas de borracha; confusão durou mais de duas horas, deixando muitos feridos
Ativistas lançaram pedras, garrafas e rojões e policiais usaram gás lacrimogêneo e balas de borracha; confusão durou mais de duas horas, deixando muitos feridos | Foto: Eitan Abramovich/AFP



Buenos Aires - Intensos confrontos entre a polícia e manifestantes foram registrados em Buenos Aires nesta segunda-feira (18) contra a polêmica reforma do sistema de previdência e benefícios sociais do governo argentino de Mauricio Macri. Uma greve geral também foi deflagrada na capital argentina ao meio-dia de ontem, afetando, inclusive, o transporte aéreo.
Esta foi a segunda vez que o governo tentou aprovar o projeto de lei: na quinta passada, a sessão no Congresso teve que ser suspensa devido aos confrontos entre manifestantes e policiais, que dezenas de feridos.
Ontem, a confusão durou mais de duas horas. Ativistas lançavam pedras, garrafas e rojões. Os policiais fizeram com que retrocedessem usando com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Novamente, houve muitos feridos.
A câmara de Deputados tinha iniciado a sessão para avaliar o projeto já votado no Senado, mas teve que fazer uma pausa devido à gravidade dos confrontos.
O chefe de gabinete, Marcos Peña, afirmou que a reforma "é uma boa lei". O governo afirma que os aposentados não vão perder poder aquisitivo, mas a oposição e sindicatos temem que as aposentadorias sejam impactadas pela inflação - superior a 20% ao ano na Argentina há uma década.
O país acompanha a volta das cenas de repressão nas ruas que não eram vistas desde a revolta que derrubou o governo do conservador Fernando de la Rúa em 2001.
A CGT iniciou, ao meio-dia, uma greve geral de 24 horas. Segundo um comunicado, órgãos de direitos humanos aderiram à mobilização "contra a repressão e a desapropriação".
O governo quer mudar a forma de calcular a aposentadoria para reduzir o déficit fiscal, estimado a 5% do PIB (Produto Interno Bruto). O novo cálculo permitiria ao fisco economizar, em 2018, cerca de 10 bilhões de pesos (R$ 18 bilhões), um quinto do seu déficit.
O deputado Pablo Kosiner, chefe de um bloco peronista aliado de Macri, anunciou na sexta-feira que concordou em formar quórum para a votação da lei, em troca de um bônus adicional para os afetados.
Macri propõe elevar a idade mínima para a aposentadoria, de forma opcional, de 65 para 70 anos para os homens e de 60 para 63 anos para as mulheres.
Enquanto a agitação nas ruas começava a se dissipar no fim da tarde, dentro do Congresso o debate se alongava e era esperado que entrasse pela madrugada.

AVIAÇÃO
A greve geral na Argentina contra o pacote de reformas proposto pelo governo Macri causou o cancelamento de voos entre Brasil e Buenos Aires nesta segunda-feira (18). As companhias que operaram em Buenos Aires informaram que as passagens serão trocadas ou reembolsadas.