A Justiça argentina decidiu enviar de novo para trás das grades um dos mais famosos ex-repressores da ditadura militar (1976-83), o ex-almirante Emilio Massera. Ele será transferido para uma prisão dentro do Campo de Mayo, onde se localizam as maiores instalações militares do país.
A juíza Maria Servini de Cubría revogou ontem o direito à prisão domiciliar, desfrutada por Massera desde 1998, quando foi processado por ser mandante do sequestro de crianças durante a ditadura. Na ocasião, por ter mais de 70 anos de idade, a Justiça permitiu que permanecesse detido em sua residência.
O ex-repressor acaba de perder o direito à prisão domiciliar por ter sido encontrado passeando fora da chácara onde residia. Massera foi descoberto esta semana pela organização HIJOS, de filhos de desaparecidos durante o regime militar.
O advogado de Massera, Arce Ageo, sustenta que seu cliente somente havia saído para atender a campainha, achando que era seu médico que havia chegado. Ao não encontrá-lo, foi procurá-lo.
Massera é uma das figuras mais sinistras da última ditadura: em 1985 foi condenado à prisão perpétua por crimes contra a humanidade. Culpado de três homicídios, 69 detenções ilegais, 12 torturas e sete roubos, permaneceu preso pouco tempo: em 1990, o presidente Carlos Menem o indultou.
Foi detido novamente em 1998, quando as organizações de defesa dos direitos humanos descobriram uma estratégia para colocar os repressores na prisão: o sequestro de crianças durante o regime militar, que não havia sido contemplado pelos processos de 1985, e que por isso haviam ficado de fora do indulto.

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