Buenos Aires - O presidente argentino, Néstor Kirchner, anunciou ontem, em seu primeiro dia de trabalho após um grave problema de saúde, um plano global de segurança, em seu afã para recuperar a iniciativa frente à onda de delitos que pôs em xeque o governo e abala o país.
Embora o governo mantenha reservas, a imprensa mencionou a possível criação de um órgão federal de controle de sequestros extorsivos e narcotráfico, no âmbito de um programa global de apoio educativo e social.
Kirchner, 54 anos, chegou pela manhã de helicóptero à Casa Rosada (sede do governo) para preparar o anúncio, após uma ausência de 11 dias por causa de uma gastroduodenite aguda que o afetou desde a Semana Santa.
No ato de lançamento, que terá lugar na Casa Rosada, estarão presentes membros do gabinete de ministros e vários governadores, segundo fontes do governo.
A insegurança passou a ser o grande motivo de preocupação na Grande Buenos Aires, a maior concentração urbana do país com nove milhões de habitantes, onde segundo estatísticas oficiais a cada dia morrem seis pessoas em média por delitos violentos.
Um desses delitos, o assassinato do jovem de 22 anos Axel Blumberg durante um sequestro, foi o que provocou uma reação popular e uma mobilização de 150.000 pessoas a 1 de abril passado diante do congresso nacional e chamou a atenção das autoridades.
O caso do estudante universitário, cujo pai, Juan Carlos Blumberg, transformou-se em uma referência nacional na demanda por segurança e justiça, teve como consequência expurgos e detenções na polícia, que está no olho do furacão por denúncias de corrupção e conivência com bandos de delinquentes.
Uma nova marcha foi convocada para quinta-feira em frente ao Palácio dos Tribunais. Em seu regresso ao gabinete, Kirchner fez uma pausa ao meio-dia e foi de helicóptero ao hipódromo de Palermo, na zona norte da capital argentina, para participar na festa do relançamento da Rádio del Plata, propriedade do empresário e apresentador de televisão Marcelo Tinelli.
''Estou nota dez'', disse sorridente o presidente indagado sobre sua saúde, nesta imprevista aparição em público que contribuiu para dissipar rumores de que sua doença tinha sido mais grave do que o informado oficialmente. A respeito o ministro do interior, Aníbal Fernández, rechaçou pela rádio América ''as versões psicológicas ou jornalísticas ou mal-intencionadas de algum setor'', e se queixou de que ''alguém chegou a dizer que (Kirchner) tinha feito uma intervenção cirúrgica''.
Fernández tampouco avalizou interpretações de que com o iminente anúncio sobre segurança pública, o governo se proponha inaugurar uma nova etapa política, embora admitisse que a comoção causada na sociedade por mortes recentes como a de Blumberg acelere decisões provavelmente lentas.

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