Deixar de ser pobre é possível? Talvez, especialmente se alguém emprestar dinheiro para poder sair da pobreza. Mas quem concederia um crédito para alguém que poderia ser catalogado como indigente? Um banco para indigentes. Essas perguntas e respostas foram feitas por uma equipe da Universidade de Buenos Aires (UBA), que está estudando a criação de um banco que empreste dinheiro à pessoas em situação de extrema pobreza.
O projeto inspira-se no Grameen Bank, de Bangladesh, que empresta para os pobres desse país, e que no último ano recuperou 95% dos US$ 500 milhões emprestados. Os micro-créditos são a base deste banco, criado há 22 anos pelo economista Muhammad Yunus. O Grameen Bank, que nasceu em um vilarejo de 42 habitantes, hoje trabalha em 39 mil aldeias de Bangladesh, e até o momento beneficiou 2,5 milhões de pessoas com seus mini-empréstimos. O banco possui 1.082 sucursais e 13 mil funcionários. O Grameen Bank não tem o lucro como objetivo, mas em 1998 teve um superávit de US$ 1 milhão.
O banco não exige avalistas, só pede juros de mercado, e não precisa recorrer à Justiça para obter de volta o dinheiro emprestado. Os planos de pagamento são de 50 semanas. O segredo do sucesso desta inusitada entidade bancária é que o sistema de empréstimos é coletivo: para ter o crédito, uma pessoa precisa formar um grupo com outras quatro que também queiram empréstimos. A pessoa será o ‘‘presidente’’ deste grupo que solicitou o crédito, e também a última que o receberá. A condição será que seus amigos paguem por seus respectivos empréstimos.
Mas, o que funcionou em Bangladesh poderia funcionar na Argentina, Brasil, ou qualquer outra parte do mundo? ‘‘Sim’’, de acordo com Yunus. Em uma recente visita à Argentina, afirmou que ‘‘as similaridades entre os pobres de todo o mundo são maiores que suas diferenças’’.

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