Argentina pede ajuda para crise de energia
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terça-feira, 23 de março de 2004
Agência Folha e France Presse 
Buenos Aires - Por falta de investimentos no setor, a argentina tem problema de enegia e pede ajuda ao Brasil e Polívia. A Argentina está pedindo ajuda aos países vizinhos, entre eles o Brasil e a Bolívia, para amenizar as restrições de energia elétrica, que a obrigaram a limitar o fornecimento a grandes empresas e suspender as exportações de eletricidade ao Uruguai. O presidente Néstor Kirchner atribuiu nesta terça-feira a crise energética à falta de investimentos desde 1996 das companhias distribuidoras de gás, usado como combustível para as termelétricas.
''Têm que investir porque desde 1996 praticamente não fazem isto'', disse Kirchner à imprensa após um ato na fábrica da montadora francesa Peugeot no bairro de El Palomar (periferia noroeste).
O parque de geração local está operando quase no limite de suas possibilidades, devido à falta de investimentos e ao crescimento de cerca de 8% na demanda em 2003, ano em que a economia cresceu 8,7%, acumulando alta de 24% nos último cinco anos.
O governo se viu obrigado a interromper na semana passada o fornecimento de energia elétrica a trinta grandes empresas do país e recorreu ao Brasil e à Bolívia para suprir suas deficiências e evitar que a crise chegue às casas dos argentinos no inverno.
O Brasil ajudará a Argentina a superar suas carências de energia com pelo menos 300 megawatts de eletricidade, informou ontem o Ministério de Minas e Energia em Brasília.
''Estão sendo formadas comissões para a entrega (à Argentina) de 300 megawatts a partir de 1º de maio'', disse uma porta-voz do ministério à Agência France Presse de notícias, que acrescentou que o fornecimento pode chegar a 500 MW.
O assunto foi tratado em sigilo na semana passada em Buenos Aires entre o ministro argentino do Planejamento, Julio De Vido, e a ministra brasileira de Minas e Energia, Dilma Roussef. O governo brasileiro evitou divulgar a informação.
Combinamos com a Bolívia um envio de 3,5 milhões de metros cúbicos mensais de gás para abril'', declarou De Vido.
Antes do governo interromper temporariamente o fornecimento de energia às grandes fábricas, De Vido analisou com o Executivo boliviano um projeto de integração energética, que inclui uma eventual ampliação das compras de gás natural boliviano.
A Bolívia exportou gás à Argentina entre 1972 e 1999, registrando em 1983 um teto de seis milhões de metros cúbicos. O negócio gerou 4,562 bilhões de dólares para a nação vizinha durante os 28 anos em que se prolongou o contrato. O governo de Kirchner se viu obrigado além disso a suspender um contrato com a empresa elétrica uruguaia UTE, que representava 19% do consumo na nação vizinha, segundo a imprensa argentina.


