O presidente da Argentina, Fernando de La Rúa, ratificou ontem, em entrevista a correspondentes estrangeiros, em Buenos Aires, que o plano de conversibilidade adotado pelo país em 1991 será mantido e que nenhuma declaração de pessoas de fora ou de dentro do governo deve e nem pode prejudicar a estabilidade da linha de política econômica. ‘‘Quem decide sobre isso é o presidente’’, disse De La Rúa, contestando as declarações, de anteontem, do ex-presidente Raúl Alfonsín a uma rede argentina de televisão.
O ex-presidente chegou a afirmar que a conversibilidade e o golpe de Estado, em 1930, eram as piores catástrofes ocorridas na Argentina no século XX. O chefe de Gabinete, Chrystian Colombo, reafirmou também que a conversibilidade é uma instituição conquistada pelos argentinos e que esse princípio não será violado. ‘‘Ratificamos o rumo da política econômica e não encontramos motivos para mudá-la. Queremos e vamos continuar dando as regras do jogo muito claras, e dar as condições políticas e jurídicas de segurança aos investidores. Estamos convencidos que este modelo é o requisito para chegar ao crescimento sustentado’’, afirmou Colombo, durante entrevista à imprensa estrangeira.
O presidente De La Rúa disse também que a mudança no Gabinete, na semana passada, teve o objetivo de fortalecer a área econômica do governo. Indagado pela Agência Estado sobre o risco de o ministro José Luís Machinea ser demitido caso não consiga os resultados econômicos esperados pelo mercado e pela sociedade
De La Rúa disse apenas que o ministro está firme em seu cargo. De La Rua disse, no entanto, que o chefe do governo na Argentina é o presidente e os ministros são apenas colaboradores. ‘‘As pessoas estão impacientes com a falta de crescimento; assim como eu, querem resultados rápidos. E eu também. Estamos fazendo o possível para isso’’, afirmou o presidente.
De La Rúa finalizou afirmando que o governo está firme no rumo econômico. ‘‘O que nos afeta é a ansiedade do povo e as suas expectativas. O Brasil também teve suas dificuldades e as está superando’’, comparou o presidente.