Argentina investiga explosão de bomba
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2003
Agência Folha 
São Paulo - O governo argentino quer descobrir os autores da explosão provocada por uma bomba colocada numa lata de lixo e que deixou 25 feridos anteontem, em Buenos Aires.
O incidente ocorreu durante manifestação que reuniu mais de 15 mil pessoas na Praça de Maio, na frente da Casa Rosada, sede do governo, para lembrar o segundo aniversário da queda do ex-presidente Fernando de La Rúa (1999-2001).
A decisão de intensificar as investigações veio depois que o líder de um grupo de manifestantes, o aposentado Raúl Castells, acusou o governo de ser responsável pela explosão. ''Não sei se (os integrantes do governo) foram os autores materiais (do atentado), mas sim os intelectuais'', disse em entrevista ao jornal ''Clarín''.
O coordenador nacional do grupo de desocupados da CCC (Corrente Classista Combativa), Juan Carlos Alderete, evitou culpar o governo, mas também cobrou mais ''seriedade'' no rumo das investigações. ''As causas das explosões do dia 19 e 20 de dezembro (de 2001) permanecem desconhecidas, enquanto o povo continua reclamando soluções firmes para que haja paz e justiça em uma pátria livre'', disse Alderete.
O chefe da Polícia Federal, comissário Eduardo Prados, negou que a explosão do artefato tenha sido um atentado. ''Acreditamos que foi um acidente, mas devemos esperar o informe dos peritos'', disse enquanto percorria o local.
A manifestação pretendia ser pacífica. Ao todo, foram realizados três atos em locais diferentes da cidade, que reuniram mais de 40 mil pessoas.
O protesto foi organizado por grupos de desempregados e aposentados, sindicatos e ONGs como a associação das Mães da Praça de Maio.
As duas primeiras manifestações aconteceram com tranquilidade depois da decisão do governo de montar uma operação discreta de segurança com cerca de 300 policiais.
O objetivo era demonstrar que o governo não estava interessado em reprimir os manifestantes, apesar das reclamações de alguns setores sobre os transtornos causados pela interrupção frequente do tráfego em estradas e avenidas da capital argentina.
Desde a posse, em maio deste ano, o presidente argentino, Néstor Kirchner, tem procurado se aproximar de grupos de desempregados e piqueteiros. O presidente culpa a falta de diálogo entre o governo e essas associações pela violência vivida no país no ano de 2001.
Cerca de 10 mil manifestantes aderiram ao primeiro protesto do dia na Praça de Maio, que terminou com a leitura de um documento que classificou como ''ato histórico'' o movimento que forçou a renúncia do ex-presidente De la Rúa.
O objetivo da manifestação era lembrar a violência dos protestos que, há exatos dois anos, mataram 30 e deixaram mais de 300 feridos e que levaram à renúncia do então presidente, em 21 de dezembro de 2001. Ele fugiu de helicóptero temendo a fúria dos ''panelaços'' que ecoavam por toda Buenos Aires.


