Buenos Aires- O governo argentino enviou ontem ao Congresso um projeto de lei que prevê a eliminação do atual sistema de previdência privada e a transferência de seus fundos e futuras contribuições para um novo sistema único estatal e obrigatório.
  A reforma, principal medida do governo até agora para conter os efeitos da crise internacional, pretende ‘‘resgatar’’ os aposentados e afiliados aos fundos de pensão privada que, com a maioria de seu dinheiro investido em bônus e ações, tiveram perdas de cerca de 20% recentemente, devido à instabilidade dos mercados.
  Além disso, a medida também garante fundos e uma arrecadação extra ao governo para o próximo ano, diante da crise e de compromissos com vencimentos da dívida. Com a transferência, o governo absorverá cerca de US$ 30 bilhões dos fundos de pensão e arrecadará aproximadamente outros US$ 5 bilhões anuais.
Atualmente, o sistema misto de previdência na Argentina conta com 9,5 milhões de afiliados aos fundos privados.
  Durante o anúncio, a presidente argentina, Cristina Kirchner, afirmou que a reforma é ‘‘uma decisão estratégica dentro do atual cenário internacional’’ e negou que a intenção do governo seja ‘‘fazer caixa’’. ‘‘A única motivação é resgatar da incerteza nossos futuros aposentados e os que hoje estão no regime de capitalização’’, disse Cristina.
  ‘‘Enquanto outros países decidiram salvar bancos e instituições financeiras, o governo argentino decidiu salvar seus trabalhadores’’, reforçou o presidente da Anses (o INSS argentino), Amado Boudou.
  Para entrar em vigor, no entanto, a medida precisa ser aprovada pelo Congresso, e a oposição já promete trazer problemas ao governo.
  Para a líder da frente de oposição Coalizão Cívica, Elisa Carrió, o novo sistema ‘‘não visa melhorar o sistema de aposentadorias, mas saquear os fundos dos aposentados para fazer caixa’’.

mockup