Vladimir Goitia
Agência Estado
De Buenos Aires
A ansiedade pela definição e anúncio do gabinete do presidente eleito Fernando de La Rúa fez o mercado financeiro, empresários e a imprensa argentina retomar o clima de especulação sobre quem será o futuro ministro de Economia do país. O nome do economista Ricardo López Murphy voltou à cena de discussões e parece não haver mais certeza se José Luis Machinea, diretor da Fundação Argentina para o Desenvolvimento e Equidade (Fade), vestirá mesmo o traje de ministro do futuro gabinete de De La Rúa, que tomará posse no dia 10 de dezembro.
Os poucos – senão nenhum – sinais do presidente eleito sobre quando deverá anunciar a sua equipe fizeram desaparecer o aparente consenso de que Machinea seria o indicado. Analistas consultados por alguns jornais argentinos disseram que, para o mercado, não é a mesma coisa Machinea ou López Murphy no governo. ‘‘Não só não é mesmo, porque os dois pensam diferente, como as pessoas que os cercam também o são’’, resumiu um analista do ING Barings.
Para alguns desses analistas, López Murphy, economista chefe da Fundação de Investigações Econômicas Latino-Amricanas (Fiel), representa ‘‘uma garantia’’ e é ainda muito bem visto por Wall Street. Já o nome de Machinea é melhor recebido pelo setor industrial argentino. De acordo com alguns empresários, o diretora da Fade representa o ‘‘equilíbrio’’ entre os interesses do setor financeiro e produtivo, enquanto que López Murphy tenderia a favorecer o primeiro.
‘‘À margem dessas especulações, seja um ou outro o indicado para gerenciar a economia do país, o mercado está mais ansioso para saber quais serão as medidas do novo governo para tirar a Argentina da recessão e para reduzir o risco-país, já que a Argentina não está imune aos contágios que acabaram atingindo o Brasil, no início deste ano, e o México, no final de 1994’’, disse à Agência Estado o economista Carlos Pérez, diretor executivo da Fundação Capital.
Pérez acredita também que, independentemente do nome do futuro ministro, a Argentina tem uma única saída: fazer um ajuste rigorosíssimo na área fiscal, melhorar a competitividade do país e garantir seu próprio crescimento. ‘‘É bom lembrar que a Argentina não tem estabilidade econômica, como o Chile, por exemplo. O governo Menem conseguiu, em dez anos, a estabilidade inflacionária ou o que podemos chamar de controle da variável dos preços, e nada mais’’, afirmou o economista da Fundação Capital.
De acordo com ele, estabilidade econômica significa ter crescimento sustentável, poder cumprir com suas obrigações da dívida externa e crescer sem depender do vizinho (em referência ao Brasil). ‘‘A Argentina está muito exposta ao que pode ocorrer no mercado externo e, também, muito auto-exposta, em relação às questões da política interna’’, explicou Pérez.

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