Buenos Aires- Famílias argentinas enterraram ontem as vítimas do incêndio da discoteca Republica Cromagnon, enquanto aumentava a polêmica sobre a determinação das responsabilidades pela tragédia e o número de mortos, que chega agora a 183.
Uma menina de 11 anos é a nova vítima, informou ontem à AFP o diretor dos serviços médicos de emergência (SAME) de Buenos Aires, Julio Salinas. Um total de 266 pessoas ainda estavam hospitalizadas, sendo 139 em estado grave.
Quatro dias após o drama, as famílias puderam finalmente prestar uma última homenagem a seus próximos, depois das longas filas de espera diante dos necrotérios. De fato, a investigação exigia que cada corpo fosse submetido a uma autopsia.
Agora, está na hora da determinação das responsabilidades pelo drama.
De acordo com o jornal Clarín, o principal culpado seria uma criança de menos de dez anos que, montado nos ombros de um adulto, teria atirado o fogo de artifício que incendiou o teto falso da discoteca.
Uma nova manifestação estava prevista para o final da tarde de ontem para exigir justiça e pedir a demissão do prefeito de Buenos Aires, Aníbal Ibarra.
Na véspera, 2 mil pessoas foram às ruas para acusar o prefeito, apontado como um dos responsáveis pela tragédia.
O proprietário da boate, o excêntrico Omar Chaban, permanecia ontem detido em uma delegacia cuja localização é mantida em segredo. Chaban é considerado um dos principais culpados pelo drama, já que estava no local, no momento do incêndio, e deixou 2 mil pessoas se amontoarem em uma danceteria habilitada para receber somente 1.037.
Durante uma entrevista coletiva à imprensa, Ibarra culpou Chaban pela tragédia. ''Este homem, além de mandar bloquear a saída de emergência, modificou o lugar instalando um sistema para evitar que as ondas sonoras se espalhassem, sistema que não era à prova de fogo, depois de ter obtido o aval de funcionamento do Corpo de Bombeiros'', acusou o prefeito da capital argentina.
Ibarra anunciou o fechamento de todas as discotecas da cidade por um período de 15 dias, para revisar as normas de segurança em vigor.
Por enquanto, a catástrofe somente provocou uma demissão: a de Juan Carlos López, o conselheiro municipal encarregado da Justiça e da Segurança Urbana. ''A discoteca tinha uma saída de emergência. Se ela tivesse ficado aberta no momento do incêndio, lamentaríamos apenas alguns feridos, e não esta tragédia estúpida'', frisou.
Cerca de 60 pessoas foram enterradas domingo no cemitério de La Chacarita, o maior da capital argentina, e outras 30 no de Flores. A imensa maioria dos mortos eram adolescentes que queriam ouvir a banda rock ''Los Callejeros''.
''A morte é sempre dolorosa, mais ainda quando atinge tantas pessoas, em maioria jovens'', lamentou o padre José Maria Balina.
Outro incêndio Um incêndio na madrugada de domingo num show em uma discoteca da cidade argentina de Esperanza (nordeste) provocou pânico entre as centenas de pessoas presentes ao local, mas não deixou feridos, de acordo com a Polícia.
O incidente aconteceu dois dias depois da tragédia em uma danceteria de Buenos Aires. O fogo na discoteca de Esperanza teria começado devido ao intenso calor provocado pelas luzes colocadas estrategicamente para o show da banda Cali.
A Polícia informou ainda que logo que o fogo começou, no teto do local, os responsáveis pelo estabelecimento ativaram os interruptores de energia e acenderam as luzes de emergência. Ao mesmo tempo, correram e abriram as saídas auxiliares, o que permitiu que as pessoas saíssem com facilidade em poucos minutos.

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