Argentina divulga 'listas negras' elaboradas durante a ditadura militar
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quinta-feira, 07 de novembro de 2013
Agência Estado 
O Ministério da Defesa mostrou, nesta quinta-feira (7), as "listas negras" elaboradas pelas autoridades da ditadura militar argentina (1976-83) de pessoas consideradas "subversivas" pelo regime. As listas têm nomes de artistas da música, teatro, cinema, literatura, e intelectuais.
Entre os nomes registrados estão os do escritor Julio Cortazar, autor de "O jogo da Amarelinha"; da cantora Mercedes Sosa, muito popular na época por suas canções de protesto; da poetisa Maria Elena Walsh, autora de canções infantis; dos atores Héctor Alterio e Luis Brandoni e do pianista Osvaldo Pugliese, militante do Partido Comunista. O último comandava uma orquestra de tango cujos integrantes recebiam de forma equitativa o mesmo salário, medida trabalhista que horrorizava os integrantes do governo do general Jorge Rafael Videla.
As listas também têm nomes de jornalistas que foram perseguidos, como Tomás Eloy Martinez - que nos anos 90 publicou os best-sellers "Santa Evita" e "O voo da rainha" - e Rogelio García Lupo, que nos anos 60 foi um dos fundadores em Cuba da agência Prensa Latina, vinculada ao governo de Fidel Castro.
O ministério argentino indicou que as listas negras estavam registradas em três atas que integram 1.500 documentos encontrados há uma semana no sótão do Edifício Condor, sede da Força Aérea. A ditadura confeccionou quatro categorias de listas negras, classificadas de "F1" a "F4" de acordo com o grau de "perigo" que os intelectuais citados representavam para os militares, informou o ministério.
As primeiras listas encontradas pertencem à categoria "F4", referente aos mais perigosos segundo a ditadura. Em uma lista, elaborada no dia 6 de abril de 1979, aparecem os nomes de 285 pessoas. Outra lista é de 1980 e cita 331 pessoas. Este documento possui um aviso dos militares sobre os papeis: "devem ser incinerados".
Nas outras categorias, estão citadas as pessoas consideradas menos perigosas pelos militares. Na categoria "F3", os militares ressaltavam que as pessoas tinham "alguns antecedentes ideológicos marxistas" mas não estavam proibidas de ter "alguma promoção, concessões de bolsas de estudo, etc".
Na "F2", estavam os nomes de opositores do regime que "mão tinham antecedentes que permitissem classificá-los desfavoravelmente do ponto de vista marxista". Os integrantes da lista "F1" não continham, na visão da ditadura, antecedentes ideológicos marxistas.
As listas foram modificadas com o passar dos anos e, em 1982, foram drasticamente reduzidas, já que a ditadura previa ser necessário uma "transição" para um sistema democrático.
Mas os militares indicam que 46 pessoas jamais sairiam das listas negras, como o escritor e jornalista Tomás Eloy Martinez, o médico e ensaísta Florêncio Escardó e o diretor de cinema Fernando Solanas, entre outros.


