Ariel Palacios,
especial para Agência Estado
De Buenos Aires
‘‘Faço golpes com votos e voltarei a fazer isso.’’ Esta declaração do ex-general golpista paraguaio Lino César Oviedo terminou de esgotar a paciência do governo argentino, que em repetidas ocasiões proibiu o ex-militar de realizar qualquer tipo de pronunciamento político. Oviedo está asilado na Argentina desde 29 de março, quando fugiu do Paraguai acusado de ter sido o mentor do assassinato do vice-presidente Luis María Argaña. As declarações, que violaram a lei de asilo, irritaram o presidente Carlos Menem, que convocou seu gabinete para decidir hoje se Oviedo será expulso do país.
Logo após sua chegada à Argentina, Oviedo foi instalado em uma chácara na cidade de Moreno, na Grande Buenos Aires. Ali, o ex-militar manteve intensa atividade política, reunindo-se semanalmente com centenas de seguidores, conspirando para seu retorno ao Paraguai. A atividade de Oviedo irritou Assunção, que pediu sua extradição. A Argentina recusou, alegando o sagrado direito do asilo. Isso provocou uma crise diplomática que fez com que os dois países retirassem seus embaixadores um do outro.
Pouco depois, declarações políticas de Oviedo ao jornal La Nación causaram sua remoção, sexta-feira, para uma fazenda na província de Tierra del Fuego, no extremo sul do país, a quatro mil quilômetros da fronteira paraguaia. Oviedo tentou impedir - sem resultados - sua internação na ilha, alegando que os gélidos ventos do sul prejudicariam seu implante capilar.
No mesmo dia de sua chegada à província, Oviedo disse ao jornal Clarín que pretende voltar ao Paraguai. Ele também se comparou a Cristo, ‘‘a quem também perseguiram’’. Depois disso, recebeu um duro recado de Menem, de quem é amigo há mais de 15 anos: ‘‘Não saia da fazenda para nada.’’
‘‘Não podemos mandar Oviedo mais ao sul ainda’’, lamentou irônico o ministro do Interior, Carlos Corach, referindo-se ao fato de Tierra del Fuego ser um dos pontos mais ao sul no continente. Por esse motivo, o governo está procurando um novo país que aceite Oviedo como hóspede.
Venezuela e Panamá estão sendo sondados pela chancelaria argentina, e também se fala na Alemanha, onde Oviedo foi adido militar e onde mora um filho seu. Como última possibilidade, especula-se entregar Oviedo à Interpol.

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