Argentina comemora 20 anos de democracia
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de dezembro de 2003
France Presse 
Buenos Aires - Há 20 anos da restauração do regime democrático, 79% dos argentinos concedem um grande valor à democracia, embora admitam que o sistema ainda não pôde resolver os problemas sociais mais graves como as questões do desemprego, da corrupção, da pobreza, da insegurança e da falta de justiça.
O aniversário, que será comemorado nesta quarta-feira, será recordado por diferentes organizações políticas e sociais. Os meios de comunicação prepararam programas especiais, destinados fundamentalmente aos jovens.
As emissoras de rádio Rock and Pop (com grande impacto na juventude) e Rádio Nacional (estatal) divulgavam neste domingo um programa especial de dez horas com arquivos sonoros sobre as duas últimas décadas.
Semana passada, o Canal Todo Noticias transmitiu o programa ''20 anos de democracia, as dívidas pendentes'', onde foram entrevistadas personalidades que participaram dos principais acontecimentos no país.
Uma pesquisa publicada domingo pelo jornal Clarín, deixa em evidência que 79% dos cidadãos valorizam a democracia e destaca como principais conquistas as liberdades de expressão e de imprensa em vigor e a estabilidade institucional. Em menor medida, destacam o crescimento econômico e a justiça social.
Paralelamente às conquistas, os argentinos apontaram os problemas pendentes: desemprego (74,2%), corrupção (46,7), pobreza (46), insegurança (39,8), justiça (31,0) e justiça social (21,5). A pesquisa também destacou que os argentinos têm também uma relação paradoxal com o sistema representativo de Governo.
Essa contradição resulta patente se for considerado que mais da metade (52%) dos entrevistados estão dispostos a sacrificar liberdades e direitos em troca de maior segurança e menos pobreza.
Dentro desta faixa, 30% afirmaram que ''a democracia não solucionou nenhum dos problemas mais graves das pessoas''.
As respostas confirmaram também a brecha que separa a política e os políticos da população. Apenas 10,3% das pessoas ouvidas se sente representada por seus eleitos e os 88,2% restantes ou não se sentem representados (54,2%) ou se sentem pouco representados (34%).
A justiça e a polícia são as duas instituições mais questionadas. A mostra foi realizada para o jornal pelo Centro de Estudos de Opinião Pública (CEOP), que ouviu 600 pessoas em todo o país.


