Argentina anuncia renegociação de dívidas
De acordo com o governo Macri, adiamento da quitação recairia apenas sobre os grandes investidoreDe acordo com o governo Macri, adiamento da quitação recairia apenas sobre os grandes investidores De acordo com o governo Macri, adiamento da quitação recairia apenas sobre os grandes investidores
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
De acordo com o governo Macri, adiamento da quitação recairia apenas sobre os grandes investidoreDe acordo com o governo Macri, adiamento da quitação recairia apenas sobre os grandes investidores De acordo com o governo Macri, adiamento da quitação recairia apenas sobre os grandes investidores
Folhapress 
Buenos Aires - A Argentina decidiu declarar adiar o pagamento de parte de sua dívida de curto prazo. O país vai ainda renegociar as de médio e longo prazos, inclusive a parcela referente a empréstimos com o FMI (Fundo Monetário Internacional). O governo Macri adquiriu uma linha de crédito com o fundo em junho de 2018 no valor de U$S 57 bilhões.

A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (28) pelo ministro da Fazenda, Hernán Lacunza. "A Argentina propôs [ao FMI] iniciar o diálogo para reperfilar os vencimentos da dívida", disse Lacunza em uma coletiva de imprensa. Segundo o ministro, a postergação será aplicada a bônus de investidores institucionais, como bancos e seguradoras. Pessoas físicas não seriam afetadas.
O ministro estimou que a renegociação será iniciada pelo atual presidente, Mauricio Macri, mas que "inexoravelmente" teria de ser concluída pelo próximo governo que vencer as eleições de outubro e assumir em 10 de dezembro. "Enquanto houver negociação, os vencimentos originais serão respeitados e os pagamentos não serão interrompidos", afirmou Lacunza.
A Argentina tem dívidas de curto, médio e longo prazo. Mais da metade (58%) é regida por leis locais e o restante segue regulamento internacional. A proposta do governo Macri é protelar o pagamento das dívidas que estão sob a legislação local e em poder dos chamados investidores institucionais, como bancos e seguradoras.
A moratória recairia apenas sobre os grandes investidores, que detêm cerca de 10% dos títulos. Os recursos obtidos a partir do adiamento seriam utilizados para aliviar as pressões sobre as reservas internacionais e "preservar" a moeda local, de acordo com o ministro.
Segundo o ministro, a proposta de renegociação não inclui buscar mudanças nos débitos ou nas taxas de juros a serem pagos, mas apenas estender os prazos para que o próximo governo argentino "possa implantar sua política sem condicionamentos financeiros".
Num dia tenso na Argentina, em que o dólar voltou a ultrapassar a casa dos 60 pesos e manifestantes ocuparam a praça de Maio, o presidente Macri passou a manhã reunido com a equipe econômica e congressistas de sua base de apoio. Após ter sido pressionado, na terça-feira (27), por governadores de províncias, que se colocaram contra as medidas de redução de impostos tomadas depois da derrota do governo nas primárias, Macri pediu que seu novo ministro da Economia, Hernán Lacunza, divulgasse novo pacote nesta quarta.
Com a praça ainda cheia de sindicalistas e militantes antigoverno, Lacunza anunciou que se estenderiam o prazo de pagamento da dívida do país com o FMI. Destacou que uma renegociação já está em curso e que a visita de uma equipe do FMI ao país está prevista para esta semana.


