Argentina alega sofrer 'desprezo' internacional
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sexta-feira, 04 de outubro de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires - A Argentina sofre ''quase o desprezo da comunidade internacional'', mas ''o país começa a sair (da crise) lentamente sem ajuda externa'', defendeu ontem o presidente Eduardo Duhalde.
''No entanto, quero ratificar que precisamos da ajuda externa'', afirmou Duhalde no Salão Branco da Casa de Governo, na posse do novo secretário geral da Presidência, José Pampuro, e do ministro da Produção, Aníbal Fernández.
Pampuro admitiu em entrevista coletiva que ''é muito provável'' que as estancadas conversações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) continuem na semana que vem com uma viagem a Washington do ministro da Economia, Roberto Lavagna.
''A Argentina parecia se dirigir à anarquia e à guerra civil há nove meses, e hoje nos dirigimos às urnas para eleger novo presidente que assumirá em 25 de maio de 2003'', disse Duhalde.
Os fluxos de crédito privado internacional se interromperam em dezembro passado, quando a Argentina declarou a moratória da dívida, o que agravou a pior crise financeira vivida pelo país em um século. As linhas de ajuda dos organismos internacionais também se interromperam, apesar de que há nove meses o frágil governo de Duhalde estar negociando um acordo com o FMI.
O governo deixou de pedir novos empréstimos aos organismos e pediu ao FMI que lhe ofereça ajuda para reprogramar vencimentos da dívida multilateral, que somam 6,5 bilhões de dólares somente até março, com o exclusivo objetivo de não incorrer em outra interrupção de pagamentos. A economia argentina cairá este ano até 11%, segundo os cálculos mais otimistas, e 18%, segundo os mais pessimistas, enquanto a pobreza aumentou de 42% a 53% em um ano, tanto que mais de um terço da força de trabalho de quase 15 milhões de pessoas sofre graves problemas de desemprego.


