France PresseAs Mães da Praça de Maio e outras entidades querem revogar perdãoNo fim da tarde de ontem, deputados do governo e da oposição argentina adiaram a votação da revogação dos perdões aos militares envolvidos com violações aos direitos humanos durante a última ditadura (1976-1983). A alegação dos líderes partidários foi a falta de acordo sobre modificações nos projetos apresentados. O projeto que revogava o perdão foi apresentado no início de janeiro por dois deputados do Frepaso, partido que junto com a União Cívica Radical (UCR) formam a Aliança Opositora. Apesar de partir de suas próprias fileiras, o projeto causou profundas divergências na coalizão: a UCR prefere não discutir um projeto que relembre seu fracasso nos anos 80, quando o governo, comandado pelo ex-presidente Raúl Alfonsin (UCR), teve que ceder aos constantes levantes militares e votar dois perdões (1987 e 1989). Os diversos órgãos de defesa dos direitos humanos presentes no Congresso pediram em conjunto que seja votada a anulação dos perdões, ‘‘para que haja verdade e justiça.’’ As Mães da Praça de Maio protestaram, afirmando que ‘‘a impunidade de ontem continua na impunidade de hoje, já que 50% dos centros de detenção ficaram nas mãos da polícia.’’ Hoje, o chefe do Estado-maior do Exército, general Martín Balza, e seus principais comandantes analisarão as consequências da crise criada pela proposta de revogação dos perdões aos militares. Os quartéis estão tranquilos, ‘‘mas preocupados’’, disseram à Agência Estado fontes das Forças Armadas.

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