Argélia decide receber missão européia
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sexta-feira, 16 de janeiro de 1998
AE-Reuters Londres 
France PresseTerrorismoMulheres muçulmanas sobreviventes do massacre de domingo conversam em Sidi Ahmed, ao sul de Argel. População denuncia passividade do governo argelinoA Argélia aceitou receber uma missão da União Européia (UE) para discutir a escalada da violência no país, anunciou ontem o chanceler britânico, Robin Cook. O governo argelino, que rejeitara anteontem uma visita de diretores políticos das chancelarias da Grã-Bretanha, Áustria e Luxemburgo por considerar seu nível de representatividade muito baixo, reverteu sua posição depois que a UE decidiu enviar uma delegação de três ministros juniores. A missão chega à ex-colônia francesa na segunda-feira e fará um relatório da situação para uma reunião que os chanceleres europeus realizarão no dia 26.
Todos os temas, por mais sensíveis que sejam, estarão abertos a discussões, disse um porta-voz da Comissão Européia (órgão executivo da UE). Mas, indagado sobre se será discutida a criação de uma comissão internacional para investigar os massacres de civis na Argélia, ele ressaltou: Essa não é a posição da UE. A missão vai a Argel principalmente para ouvir.
O governo argelino quer que a delegação se limite a discutir formas de combater o terrorismo. Argel rejeita qualquer investigação externa e atribui os massacres aos rebeldes integristas muçulmanos, mas há denúncias de envolvimento militar em algumas das chacinas.
Desde o início do Ramadã (mês sagrado muçulmano), no dia 30, mais de 1,5 mil civis foram mortos na Argélia - 400 deles, segundo a imprensa, na noite de domingo para segunda-feira na área de Sidi Ahmed, 20 quilômetros ao sul de Argel.
O embaixador britânico Jean-François Gordon visitou ontem Sidi Ahmed. Vim aqui manifestar condolências às famílias das vítimas desse horrível ato de terrorismo, disse Gordon a jornalistas. Ele ouviu dos moradores locais denúncias da passividade das autoridades. Pedíamos armas para nossa defesa fazia três meses, disse um deles. Sabíamos que poderia haver uma matança, mas as autoridades não nos quiseram ajudar.
Na noite de anteontem, uma pessoa morreu e dez ficaram feridas na explosão de uma bomba numa mesquita em Baraki, perto de Argel, informou ontem o jornal Liberté. A bomba estava escondida numa bolsa. Ninguém assumiu a autoria do ataque.


