Argel silencia diante da pressão internacional
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quarta-feira, 07 de janeiro de 1998
France Presse 
Argel
Arquivo FolhaBarbárieO governo reforça a segurança, mas não consegue conter a onda de ataques que já chacinaram mais de 600As autoridades argelinas enfrentavam ontem uma pressão internacional crescente e mantinham silêncio, depois das declarações dos Estados Unidos, que indicaram pela primeira vez desejar uma investigação internacional sobre as matanças de civis. Argel não reagiu ontem às declarações do departamento de Estado, que ontem manifestou seu desejo de que o governo argelino faça mais para proteger seus habitantes.
A primeira reação oficial foi contra a França. As autoridades qualificaram de inaceitável uma declaração de Paris que frisava - como Estados Unidos - o direito dos civis argelinos de serem protegidos e defendia uma rápida democratização autêntica.
Arquivo FolhaTerrorAs autoridades querem armar a população para a autodefesa, mas a maioria dos sobreviventes prefere fugir
Paris reiterou de novo ontem que não está promovendo uma ingerência. Mas a imprensa governamental, assim como o ministro de assuntos religiosos, Buabdellah Gulamallah, novamente atacaram a França, acusada de dar abrigo em seu solo a bases terroristas, e de reagir, por despeito, depois de ter constatado o retrocesso de sua influência neste país. As críticas contra a França se inscrevem na série das tradicionais virulentas declarações de Argel contra a ex-potência colonial. No entanto, a mudança na posição de Washington pode preocupar as autoridades argelinas.
Washington expressou pela primeira vez seu desejo de que uma investigação internacional lance luz sobre as matanças de civis, nas quais centenas de pessoas foram assassinadas nos últimos quinze dias.
Argel rechaçou energicamente nos últimos meses todas as sugestões de que aceitasse o envio de uma comissão de investigação, uma proposta formulada pela ONU, parlamentares europeus, organizações humanitárias ou partidos argelinos de oposição.


