France PreseSangue e lágrimasMulheres choram durante enterro das vítimas do massacre de domingo à noite no cemitério de Sidi Hamed, que teve de ser ampliado para receber os mortosSobreviventes e parentes enterraram ontem vítimas de um terrível massacre na Argélia no qual mais de 100 homens, mulheres e crianças foram mortos a tiros, por bombas, queimados vivos e esfaqueados. O cemitério do vilarejo de Sidi Hamed, a cerca de 30 quilômetro ao sul de Argel, teve que ser aumentado para acomodar os túmulos das vítimas da carnificina da noite de domingo. ‘‘Ontem tivemos rios de sangue, hoje temos rios de lágrimas’’, disse um sobrevivente observando um grupo de mulheres à beira de um túmulo.
O Ministério do Interior negou ontem ‘‘com grande firmeza’’ que o número de mortos num massacre no domingo à noite tenha sido de mais de 400, e permaneceu com a estatística oficial de 103 mortos e 70 feridos.
O jornal ‘‘Libert钒, citando sobreviventes, afirmou que 428 civis haviam morrido e 140 ficados feridos no vilarejo. O jornal ‘‘El Watan’’, citando o que chamou de ‘‘fontes que chegaram a um consenso’’, relatou que 400 pessoas haviam sido mortas em Sidi Hamed. As mortes elevaram o número de mortos em massacres atribuídos a rebeldes muçulmanos a algo entre 1.100 e 1.400 desde o início do mês sagrado do Ramadã, em 30 de dezembro.
Rebeldes muçulmanos aumentam seus ataques durante o Ramadã, dizendo que é propício para a luta que estão realizando há 6 anos e na qual mais de 65 mil pessoas morreram. A União Européia concordou ontem em enviar uma missão diplomática à Argélia para discutir a onda de massacres. De acordo com um alto funcionário da UE, o grupo está pronto para partir.

mockup