O vice-presidente do Paraguai Luis María Argaña, que morreu ontem vítima de um atentado, ‘‘lamentavelmente não aceitou a cobertura de segurança que o governo ofereceu a ele’’, disse ontem o presidente Raul Cubas.
Em declarações à imprensa, Cubas explicou que há quatro meses ofereceu a Argaña ‘‘um veículo blindado da presidência’’.
‘‘Ele declinou de aceitar o oferecimento e lamentavelmente ocorreu esta tragédia’’, afirmou o presidente.
Cubas anunciou uma ‘‘completa investigação para o mais rápido esclarecimento do assassinato de tão alta autoridade do Paraguai’’.
O presidente ordenou o fechamento das fronteiras e um rígido controle e rastreamento geral para encontrar os autores do crime.
Ante as acusações dos partidários de Argaña, que o acusam de culpado pelo crime junto com o general reformado Lino Oviedo, Cubas respondeu que está com sua ‘‘consciência tranquila’’. ‘‘Lamentarei que qualquer setor político aproveite esta tragédia para tirar proveito próprio’’.
Cubas descartou a aplicação do Estado de sítio para evitar as desordens iniciadas imediatamente após a divulgação do crime.
O presidente informou que efetivos das forças armadas apoiarão a ação da polícia. ‘‘Veículos serão revistados. Pedimos desculpas pelo transtorno que se possa causar’’, acrescentou.
Ameaça Icho Planás, político e homem de confiança do assassinado vice-presidente do Paraguai, Luis María Argaña, anunciou ontem que o crime não ficará impune e advertiu que ‘‘correrá sangue’’ no Paraguai.
‘‘Isto não vai ficar assim, aqui vai correr muito sangue’’, disse Planás de forma veemente, visivelmente afetado, numa coletiva.
Planás especulou que o crime foi obra de mercenários brasileiros, sem precisar contudo de onde tirou esta informação.
O político disse ter advertido dias passados Argaña sobre a possibilidade de um atentado para assassiná-lo, proveniente do setor governamental.
Planás foi taxativo ao enfatizar que o presidente Raúl Cubas e seu mentor político, general Lino Oviedo, ‘‘serão pendurados em praça pública, junto com as famílias’’. Em declarações à rádio Cardinal, Planás, ligada à família do ex-ditador Alfredo Stroessner (1954/89) afirmou que em sua lista figuram o jornalista Raúl Melamed, o diretor do jornal ABC Aldo Zuccolillo, o deputado Conrado Pappalardo, Cubas e Oviedo.France PresseLogo após o anúncio da morte de Argaña, além das manifestações de consternação, houve também brigasFrance Presse

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