São Paulo - A Força Aérea leal ao ditador líbio, Muamar Kadafi, bombardeou ontem a região do estratégico porto petroleiro de Ras Lanuf, leste do país, controlado pelos rebeldes, que responderam com disparos de artilharia. As forças governistas enfrentaram ainda os rebeldes em Bin Jawad, em um confronto que deixou ao menos 12 mortos, segundo fontes locais.
Os rebeldes disseram ontem que se reagruparão com forças do oeste do país e trarão armas de grosso calibre para rebater a ofensiva das forças de Kadafi que impediram a marcha da oposição a Trípoli.
''As ordens são para ficar aqui e guardar a refinaria, porque o petróleo é o que faz o mundo girar'', disse o rebelde Ali Suleiman, em um dos postos de checagem de Ras Lanuf.
Segundo as agências de notícias, as forças leais a Kadafi lançaram ao menos dois ataques aéreos perto de Ras Lanuf, no deserto. Não há relato de vítimas.
Uma das bombas caiu por volta das 10h45 (5h45 de Brasília) a poucos quilômetros de um posto de controle rebelde junto ao terminal petrolífero de Ras Lanuf, em uma zona desértica, aparentemente para amedrontar os rebeldes, que tentaram atingir os caças, sem sucesso. Fontes rebeldes indicaram que outro avião havia lançado previamente uma bomba contra outra posição rebelde em Ras Lanuf, mas também caiu em uma zona desértica.
Mantimentos
As agências humanitárias da Organização das Nações Unidas (ONU) fizeram ontem um pedido para arrecadar US$ 160 milhões (R$ 265 milhões) para ajudar os deslocados pelos confrontos na Líbia. O apelo inclui 17 organizações de ajuda humanitária, entre elas a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Programa Alimentar Mundial (PAM).
O dinheiro servirá, segundo a ONU, para atender as necessidades de cerca de 1 milhão de pessoas afetadas - dentro e fora da Líbia- por três meses. Deste valor, US$ 49,2 milhões foram requisitados pela OIM para ajudar 65 mil trabalhadores estrangeiros na Líbia.
A porta-voz Jemini Pandya afirmou que mais de 213 mil trabalhadores estrangeiros fugiram da violência e centenas de milhares ainda tentam sair. As estimativas apontam que havia 1,5 milhão de trabalhadores estrangeiros na Líbia antes da eclosão da revolta, em 15 de fevereiro.
Com a fuga em massa, as agências humanitárias têm tido dificuldade de abrigar as milhares de pessoas que cruzam diariamente as fronteiras do país. Muitos estão em acampamentos improvisados, sem infraestrutura e com uma porção diária de comida.

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