Ramallah, Cisjordânia - O dirigente palestino, Yasser Arafat, assegurou neste sábado o controle dos serviços de segurança ao fim de uma longa disputa com seu primeiro-ministro, Ahmed Qoreia, enquanto o exército israelense matou quatro palestinos.
Um adolescente e outros três palestinos morreram baleados por militares israelenses na Cisjordânia e em Gaza, elevando a dez o número de palestinos mortos nas últimas 24 horas.
Qorei (também conhecido com Abu Ala) confirmou neste sábado um acordo com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Yasser Arafat, sobre a nomeação e os poderes do ministro do Interior, ao fim de uma reunião de uma hora em Ramallah, Cisjordânia.
Apesar disso, o primeiro-ministro deu a entender diante da imprensa que nem tudo estava certo ainda. ''Discussões seguem em curso para a formação de um gabinete ampliado'', disse.
Qorei confirmou que um assessor de Arafat, Hakam Balawi, seria nomeado ministro do Interior, mas esclareceu que ele só seria responsável pelas questões civis enquanto os serviços de segurança ficarão sob o controle do Conselho Nacional de Segurança, dirigido pelo próprio Arafat.
O primeiro-ministro exigiu na ocasião a nomeação de quatro vice-primeiros-ministros, entre eles Nasr Yosef que era seu candidato para o interior, mas que Arafat não aprovou.
O Fatah, movimento ao qual pertencem Arafat e Qorei, queria há dias resolver a questão sobre o nome para a pasta do Interior e suas obrigações, fato que bloqueava a indicação do gabinete ampliado que deve substituir o governo de urgência cujo mandato expirou em 4 de novembro.
Segundo dirigentes palestinos, o anúncio do novo gabinete deve ser feito na segunda-feira no Conselho Legislativo Palestino (Parlamento).
Na Faixa de Gaza o exército israelense matou dois palestinos este sábado no setor de Beit Hanun, perto do muro na fronteira com Israel, segundo fontes palestinas e israelenses.
Os corpos, até agora não identificados, foram encaminhados pelo exército israelense à Autoridade Nacional Palestina (ANP) e levados para um hospital palestino, segundo fontes de segurança.
De acordo com um porta-voz militar, ''soldados localizaram dois suspeitos que se dirigiam a uma área proibida onde foram realizados vários ataques''.
Na Cisjordânia, um palestino de 15 anos morreu e outros dois foram feridos por causa de disparos de militares israelenses no povoado de Birkin, perto de Jenin.
Outros soldados israelenses, que abriram fogo contra jovens que lhes jogavam pedras após o toque de recolher em Jenin, mataram um palestino de 19 anos e feriram outros dois, um deles um menino.
O exército anunciou a descoberta nesta mesma cidade de dezenas de quilos de explosivos numa casa que foi destruída.
As tropas israelenses derrubaram também a casa onde havia se escondido o chefe do braço militar da Jihad islâmico em Jenin, Amjad Al Ubeidi, detido na véspera.
Ubeidi é acusado de ter planejado o atentado suicida de 21 de outubro em Haifa, no qual morreram 21 pessoas.
Por outro lado, o prefeito socialista de Paris, Bertrand Delanoe, se reuniu neste sábado com Arafat, em Ramallah, Cisjordânia, constatou o correspondente da AFP.
O líder palestino permanece bloqueado há quase dois anos pelo exército israelense em Ramallah.
Delanoe se reuniu com o presidente da Autoridade Nacional Palestina em seu quartel-general de Mukata.
O ministério das Relações Exteriores israelense lamentou esta reunião, dizendo que vai contra os esforços de seu país para descartar Arafat da cena política.
''Deploramos toda reunião desse tipo e isso não contribuirá para paz'', disse à AFP a porta-voz ministerial Hadass Wittenberg.

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