Israel realizou, ontem, vários ataques aéreos contra os territórios palestinos, apertando o cerco em torno do presidente da Autoridade Palestina Yasser Arafat. O exército israelense realizou na manhã de ontem, de maneira quase simultânea, vários ataques aéreos contra Gaza e Cisjordânia. Dois palestinos morreram e dezenas ficaram feridos durante um ataque com caça-bombardeiros F-16 e helicópteros israelenses contra prédios dos serviços de segurança palestinos no setor norte da cidade de Gaza.
Aviões israelenses atacaram também um posto da polícia palestina próximo ao gabinete de Arafat, em Ramallah (Cisjordânia), enquanto que tanques israelenses se encontravam posicionados a apenas 500 metros do lugar, segundo dirigentes palestinos de segurança.
Arafat se encontrava em seu gabinete quando ocorreu o ataque, mas saiu ileso dele, informou à agência France Presse uma autoridade dos serviços de segurança palestinos que pediu para não ser identificada. Outros helicópteros atacaram um prédio das forças de segurança em Jan Yunés, ao sul da Faixa de Gaza, assim como alvos em Tulkarem (Cisjordânia).
Em uma reunião extraordinária, o governo de Sharon decidiu na madrugada de ontem intensificar as operações militares contra a Autoridade Palestina e considerá-la uma ''entidade que apóia o terrorismo''.
Duas organizações vinculadas a Arafat, o Tanzim, apresentado como o braço armado do Fatah, e a Força 17, encarregada de sua proteção, também foram declaradas ''organizações terroristas''. No entanto, essa estratégia não obteve unanimidade. O chefe da diplomacia, Shimon Peres, e os outros ministros trabalhitas, negaram-se a participar no voto do governo, em sinal de protesto.
Algumas horas antes, helicópteros israelenses haviam atacado o heliporto de Gaza utilizado por Arafat, destruindo dois helicópteros e danificando um terceiro.
Dirigentes dos serviços de segurança palestinos haviam anunciado antes que um membro de um grupo do Fatah havia morrido baleado por soldados israelenses em Nablus. Desde o início da segunda Intifada, em setembro de 2000, morreram 1.048 pessoas, entre elas 803 palestinos e 223 israelenses.
A direção palestina pediu ao Conselho de Segurança da ONU que faça cessar a ''a agressão'' de Israel e acusou Sharon de ter lançado uma ''guerra total'' contra o povo palestino. Arafat também pediu uma reunião de cúpula extraordinária da Organização da Conferência Islâmica (OCI).
A Autoridade Palestina pediu, em paralelo, a todos os movimentos palestinos que respeitem o cessar-fogo, depois das ameaças do Hamas, responsável pelos atentados do final de semana.
As operações israelenses foram condenadas pelos países árabes e muçulmanos, enquanto que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha afirmaram compreender a reação de Israel, apesar de desejarem que o diálogo entre israelenses e palestinos seja reiniciado.

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