Arafat provoca debate em Israel
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2001
Inácio Steinhardt<br>Agência Lusa 
Telavive - As rádios israelitas foram ontem o veículo de um debate público em torno do anunciado deslocamento do líder palestino Yasser Arafat a Belém para assistir, hoje, à Missa do Galo.
O presidente da Autoridade Palestiniana encontra-se praticamente com residência forçada em Ramallá, uma vez que as tropas e tanques israelitas cercam a cidade.
Os israelitas exigem que Arafat mande prender e julgar os dois assassinos do ministro israelita Rehavam Zeevi, cujo paradeiro exato, em Ramallá, as autoridades de Israel afirmam conhecer e ter transmitido à segurança palestina.
O chefe do Partido Nacional Religioso, Rabino Itshak Levy, afirmou, ontem de manhã, num dos programas da rádio, que a recusa do governo para o deslocamento de Arafat, para fins religiosos, era ridícula.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Shimon Peres, por sua vez, é de opinião que o deslocamento, por motivos religiosos, deve ser autorizado e o contrário será prejudicial à posição internacional de Israel.
A Autoridade Palestina, por motivos de prestígio, ainda não pediu oficialmente autorização israelita para Arafat sair de Ramallá para Belém.
Arafat é muçulmano, mas, desde que regressou aos territórios, tem ido todos os anos assistir à missa cristã do Natal, em Belém, como representante da Autoridade Palestina.
Antes eram os governadores militares israelitas que representavam o governo naquela cerimônia.
No sábado, o primeiro-ministro israelita Ariel Sharon reuniu o seu gabinete reduzido com a intenção de votar a posição de Israel, no caso de ser recebido o pedido de Arafat.
Quando, porém, compreendeu que, além dos dois ministros trabalhistas, Peres e Ben Eliezer, também Dan Meridor (Centro) e Sylvan Shalom (Likud), votariam a favor, decidiu fazer uma consulta telefônica a todos os ministros.
Consultado dessa forma, o governo decidiu, por maioria da direita, que Arafat não poderia sair de Ramallá enquanto não procedesse à prisão dos assassinos e de seus mandatários.
Para Arafat, a sua presença em Belém é muito importante, não só como gesto perante a pequena população cristã nos seus territórios, mas sobretudo pela oportunidade de aparecer na televisão em todo o mundo.
Por isso, já afirmou por várias vezes, nos últimos dias, que, mesmo que os israelitas se oponham, ele irá a Belém, nem que tenha de ir a pé.
Aliás, havia já uma oferta e um pedido aos israelitas do governo jordaniano, para pôr à disposição de Arafat um helicóptero daquela nacionalidade, que o levasse a Belém e o trouxesse de volta a Ramallá. Assinalam os analistas que o governo israelita está colocando-se numa situação embaraçosa, que poderia evitar.


