Em sua primeira declaração pública após o fracasso da cúpula de paz de Camp David, nos Estados Unidos, o presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, prometeu nesta quarta-feira manter a reivindicação palestina de soberania sobre Jerusalém Oriental e disse que o fracasso das negociações com Israel não o fará mudar a decisão de proclamar o Estado palestino no dia 13 de setembro.
Mas, no encerramento da cúpula, na terça-feira, as duas partes comprometeram-se a ‘‘evitar ações unilaterais’’ – Israel só apóia o Estado como resultado de um acordo de paz.
‘‘Juro rezar na mesquita de Al Aqsa de Jerusalém (...), gostem ou não os israelenses’’, disse Arafat após reunir-se com o presidente egípcio Hosni Mubarak em Alexandria. Ele ressalvou, porém, que o diálogo prosseguirá até o dia 13.
A insistência de Israel em manter Jerusalém como ‘‘capital eterna e indivisível’’ – embora fazendo concessões administrativas sobre os bairros árabes e lugares sagrados para os muçulmanos – e a exigência de Arafat de soberania sobre toda a parte oriental da cidade foram o principal motivo do fracasso da cúpula.
A Rádio Israel informou ontem – citando ‘‘a mais alta fonte’’ no avião que levava Barak de volta ao país – que o primeiro-ministro israelense concordara em entregar aos palestinos 88% da Cisjordânia e da Faixa de Gaza – ocupadas, com Jerusalém Oriental, na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Depois de informar Mubarak sobre o ocorrido em Camp David, Arafat partiu para Gaza, onde mais de 5 mil palestinos o recepcionaram como a um herói.
Barak teve uma acolhida calorosa de seus correligionários, mas terá de enfrentar agora a pressão da oposição de direita para que convoque eleições parlamentares antecipadas, uma vez que não dispõe no Parlamento da maioria necessária para governar.
A direita está enfurecida por ele ter feito concessões sobre Jerusalém e a esquerda, por não ter feito um acordo. Na terça-feira, Barak culpou Arafat pelo fiasco de Camp David, acusando-o de intransigência na questão de Jerusalém.
O conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Sandy Berger, disse ontem que o presidente norte-americano Bill Clinton está convencido de que um acordo é possível e estuda novas propostas. Berger afirmou que Israel estava mais disposto a ser ‘‘criativo e flexível’’ na busca de soluções.
O colapso em Camp David deixa Israel e os palestinos diante de um novo e duro desafio a respeito de quando – e sob quais condições – as duas partes devem retomar o diálogo. O presidente Clinton se defronta com o pouco tempo de mandato que lhe resta, e sua diminuta chance, agora, de deixar um legado de paz para o Oriente Médio. O primeiro-ministro israelense Ehud Barak, enquanto isso, enfrenta novos conflitos políticos internos e uma tentativa de seus opositores de direita de antecipar as eleições – um objetivo que, se concretizado, poderá retardar por meses a retomada das negociações.
Fontes palestinas disseram ser possível que as duas partes se reencontrem em algum momento em agosto. Barak, duro, disse aos repórteres que ‘‘não sei se poderá haver outro encontro antes de setembro’’.

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