France PresseAutodeterminaçãoYasser Arafat (D) recebe o ministro das Relações Exteriores de Luxemburgo, Jacques Poos, na Cidade de GazaO presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, disse que proclamará - se necessário, unilateralmente - um Estado palestino em 1999, ao fim do período de cinco anos de autonomia interina.
‘‘Quer Benjamin Netanyahu (primeiro-ministro israelense) queira ou não, proclamaremos um Estado independente em 1999, ao término do regime interino de autonomia previsto nos acordos de paz de Oslo, mesmo que uma parte de nossas terras continue ocupada’’, disse Arafat em entrevista publicada ontem pelo jornal israelense ‘‘Yediot Ahronot’’. ‘‘Nenhuma força no mundo pode impedir esse processo, pois estaremos exercendo nosso direito sagrado à autodeterminação, garantido pela lei internacional.’’
O governo de Netanyahu rejeita a possibilidade de criação de um Estado palestino e advertiu ontem que, se isso ocorrer, anulará os acordos já assinados.
Netanyahu, entretanto, está sob forte pressão interna e externa. Ontem, em visita à Grã-Bretanha, ele se reuniu com o primeiro-ministro Tony Blair, que manifestou sua preocupação com a estagnação do processo de paz (paralisado desde março) e pediu que Israel ponha em prática os acordos já firmados com os palestinos, com base na troca de terras por paz.
Em Israel, a imprensa informou que vários ministros do partido de Netanyahu, o Likud, planejam afastar o dirigente do poder. Os ministros estão descontentes com a abolição, quarta-feira, das eleições primárias no partido. ‘‘Os dias de Bibi (apelido de Netanyahu) estão contados’’, advertiu o titular da pasta da Ciência, Michael Eitan.
Boicote Ignorando pressões diplomáticas dos Estados Unidos, importantes países árabes anunciaram um boicote ao encontro econômico do Oriente Médio e do Norte da África (Mena, por sua sigla em inglês), que terá início no domingo em Doha, capital do Catar. A justificativa de países como a Arábia Saudita e o Egito para o não comparecimento ao encontro é a sua frustração com a atitude de Israel no processo de paz.
‘‘Os americanos estão pagando o preço pela sua recusa de não pressionar Netanyahu. A paticipação nesta conferência só seria justificada caso Israel tivesse demonstrando algum progresso no processo de paz, mas não com eles bloqueando tudo’’, afirmou um diplomata árabe. Mesmo com o boicote anunciado, o governo catariano confirmou ontem a realização da conferência.

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