France Presse30 anos depoisA entrada de Arafat em Hebron foi feita em triunfo: uma promessa é uma promessa, disse o líder

O presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, proclamou ontem a libertação de Hebron, ante milhares de palestinos, durante sua primeira visita à cidade desde o início da ocupação israelense, há 30 anos. ‘‘Proclamo que Hebron é agora uma cidade livre’’, declarou Arafat ante mais de 30 mil pessoas entusiasmadas. Arafat adotou um tom conciliador em relação aos colonos judeus, 400 dos quais vivendo em Hebron. ‘‘Não queremos um confronto. Estamos do lado da paz e queremos a paz’’, disse.
O dirigente fez um chamado à unidade palestina, em uma cidade onde a oposição integrista é influente. ‘‘Uma pesada responsabilidade recai sobre nossas costas. Temos de nos unir e construir juntos o Estado palestino’’, disse à multidão. Dirigindo-se a seus concidadãos, Arafat acrescentou: ‘‘Juntos construiremos uma paz justa no Oriente Médio’’.
Arafat chegou a Hebron vindo de Ramallah, uns 50 km mais ao Norte da Cisjordânia, em um helicóptero de fabricação russa. Quando desembarcou, o líder palestino foi ‘‘engolido’’ pela multidão que o esperava. Cercado por todos os lados, ele sorria enquanto cumprimentava as pessoas com apertos de mão.


Mais de 30 mil
pessoas cercaram
o líder palestino
na chegada à cidade

Várias bandeiras palestinas foram colocadas em Hebron para a recepção de Arafat, e o prédio do quartel-general literalmente desapareceu sob as cores verde, vermelha, branca e preta. ‘‘Há 30 anos que esperamos por este momento’’, declarou o prefeito de Hebron, Mustafá Natché.
Da sacada do quartel-general da polícia palestina, que antes era das forças israelenses, o líder dirigiu-se em árabe à multidão: ‘‘Hebron é um trampolim para o que virá depois, para que possamos estabelecer nosso Estado palestino independente’’. E garantiu: ‘‘Uma promessa é uma promessa, e agora seguiremos lutando por Jerusalém.’’
Arafat anunciou o compromisso israelense de libertar, ‘‘dentro de poucos dias’’, o dirigente espiritual do movimento radical islâmico Hamas, xeque Ahmed Yassin, e as presas palestinas que cumprem penas em prisões de Israel. Entre essas prisioneiras está a brasileira Lamia Maruf Hassan, condenada à prisão perpétua em 1984 por ter participado do sequestro e assassinato de um soldado israelense.
Líder vitalício da Organização de Libertação da Palestina (OLP), Arafat tem prometido ‘‘libertar’’ os 150 mil palestinos que vivem em Jerusalém Oriental em todas as cidades que tem visitado desde 1994, quando assumiu a presidência da AP em Gaza.
O primeiro-ministro israelense, o direitista Binyamin Bibi Netanyahu, signatário do acordo para a retirada do Exército de Hebron, é um dos mais ferrenhos opositores à criação de um Estado palestino. Israel retirou-se sexta-feira de 80% da cidade, remobilizando suas forças em bairros onde vivem os colonos judeus, no meio de 120 mil palestinos.

mockup