São Paulo O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat, encontrou ontem o primeiro-ministro palestino, Ahmed Korei, em Ramallah, em meio à crise política provocada pela violência contínua em Gaza. Sábado Korei anunciou seu pedido de demissão.
''Rejeito totalmente sua renúncia e considero-a inexistente'', disse Arafat a Korei durante o encontro que durou quatro horas, de acordo com o ministro de gabinete Saeb Erekat. Korei afirmou que estava firme no propósito de sair do governo. As reuniões de ontem tentaram solucionar o conflito político.
Na madrugada de ontem, dezenas de militantes pertencentes às Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, facção extremista do Fatah (movimento de Yasser Arafat), queimaram um prédio na cidade de Khan Younis, ao sul de Gaza, com o objetivo de protestar contra a nomeação do general Moussa Arafat, sobrinho do líder palestino, para o cargo de chefe do serviço de segurança.
Um guarda ficou ferido no confronto com os militantes, que tomaram o controle do prédio, roubaram armas e queimaram dois escritórios e vários carros que estava estacionados por perto, informaram testemunhas e oficiais locais.
Corrupção A indicação de Moussa foi parte da reforma de Arafat em suas forças de segurança, conforme pedido no plano de paz apoiado pelos EUA e Egito. No entanto, membros extremistas do Fatah afirmam que Moussa Arafat representa o ''símbolo da corrupção'' na Autoridade Palestina.
Apesar das discórdias que a indicação causou, o sobrinho do presidente tomou o controle das forças de segurança em um cerimônia realizada na Cidade de Gaza ontem. Ele disse que estava preparado para lutar contra ''todos os inimigos em potencial'' e ignorar os protestos.
Protestos Sábado cerca de 3 mil palestinos protestaram na faixa de Gaza para pressionar o líder palestino a promover as reformas e voltar atrás na indicação de seu sobrinho ao cargo de chefe do serviço de segurança.
''Não à corrupção!'', e ''Sim às reformas!'' eram alguns dos slogans proferidos pelos manifestantes. Pouco antes, as Brigadas dos Mártires de Al Aqsa avisaram que a nomeação de Moussa Arafat provocará conflitos internos.
''Expressamos nossa total rejeição da designação de um símbolo da corrupção, Moussa Arafat, como diretor da segurança geral'', afirmou o movimento em comunicado. ''Esta nomeação abre a porta para resultados perigosos, e pode levar a conflitos internos'', acrescenta o comunicado.
Sequestros Ontem a Autoridade Palestina declarou estado de emergência faixa de Gaza, onde quatro trabalhadores franceses foram sequestrados na sexta-feira (16) e depois libertados.
O chefe da polícia palestina Ghazi al Jabali também foi capturado em um incidente separado na sexta-feira e logo depois libertado.
Os sequestros refletem o crescente desafio de militantes que tentam fortalecer suas posições antes que o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, realize seu plano de retirada de Gaza até o final de 2005 em relação a Arafat.

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