O presidente palestino Yasser Arafat intensificou ontem sua luta contra as organizações integristas, depois do atentado de Jerusalém que provocou dois mortos - os próprios autores - e ferimentos em 24 israelenses.
Na madrugada de ontem, a polícia palestina deteve na Cisjordânia um certo número de ativistas da Jihad Islâmica, organização radical islâmica hostil ao compromisso com Israel.
Os dois terroristas suicidas foram formalmente identificados como membros da Jihad Islâmica por fontes ligadas aos meios integristas palestinos.
Yussef al Saghir, de 18 anos, tinha uma carteira de identidade concedida por Israel enquanto residente de Anata, localidade localizada no terço de sua superfície nos limites de Jerusalém Oriental e foi libertado há sete meses, depois de passar três anos e meio numa prisão israelense. O outro morto, seu cunhado Suleiman Tahayneh, vivia perto de Jenin e em sua casa foram encontradas cartas nas quais expressava sua simpatia pró-iraniana.
Os serviços secretos palestinos iniciaram uma investigação para saber se os dois faziam parte de uma célula dissidente da Jihad Islâmica que recebe instruções pelo Líbano por intermédio do Hezbolá xiita, apoiado pelo Irã.
A Jihad Islâmica nos territórios palestinos prometeu, há um ano, à Autoridade de Arafat acabar com a luta armada.
Imediatamente depois do atentado, Arafat tentou acalmar os israelenses, intervindo na televisão para declarar-se ‘‘decidido a mobilizar 100% dos esforços’’ contra o terrorismo e pouco depois ligou para o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu para reiterar suas intenções. Arafat também telefonou para a secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright.
Por oiutro lado, a imprensa do golfo Pérsico, comentando o atentado ocorrido em Jerusalém, considerou-o conveniente para o primeiro-ministro israelense, Bejamin Netanyahu, que o utilizou, de imediato, como pretexto para não aplicar os acordos israelense-palestinos, assinados nos Estados Unidos, recentemente.
Para o jornal de Catar al Charq, que reflete a opinião do governo, ‘‘este atentado não será o último e se trata de uma reação normal ao terrorismo israelense’’.
‘‘A única e correta maneira para Israel garantir sua segurança é respeitando seus compromissos e detendo a colonização’’, continuou o jornal, dirigindo-se, especificamente, ao governo israelense.
Nos Emirados Árabes Unidos, o jornal al Jaleej, também ligado ao governo, considerou que o atentado ‘‘põe em evidência a fragilidade do processo de paz’’ e afirma que as medidas decididas por Israel após o atentado, sobretudo a retomada da colonização, ‘‘estavam preparadas de antemão e esperavam para ser executadas’’.
Em sua edição inglesa, Khaleej Times destacou que ‘‘o enfoque israelense é simples: adiar a aplicação do acordo de Wye Plantation com o mínimo pretexto e contar com o trabalho de elementos palestinos marginais para justificar o atraso’’.
Para o jornal saudita Al Madina, ‘‘o atentado de Jerusalém tinha como objetivo torpedear o acordo de Wye Plantation, o que interessa à parte israelense, especialmente à direita religiosa e poderia ser utilizado nos próximos dias por Israel como justificativa para realizar uma ação destinada a se vingar e tirar os palestinos do processo de paz’’.

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