Ramallah, Cisjordânia - O dirigente palestino Yasser Arafat afirmou ontem a jornalistas em Ramallah que as ameaças feitas contra ele pelo primeiro-ministro israelense Ariel Sharon o deixam ‘‘indiferente’’.
  Sharon afirmou na sexta-feira que o presidente da Autoridade Palestina não tem nenhum seguro de vida. Ontem o ministro israelense da Segurança Interna, Tzahi Hanegbi, justificou as ameaças do primeiro-ministro.
  ‘‘É importante que todos os que enviam suicidas saibam que não gozam de qualquer imunidade, como declarou o primeiro-ministro’’, disse Hanegbi à rádio pública do país.
  ‘‘Se nós tivermos informações de que as autoridades palestinas incentivam,
   de forma direta ou indireta, os atentados suicidas, elas não saírão ilesas’’, advertiu o ministro.
  Ele também criticou a oposição norte-americana à idéia de Sharon. ‘‘Os norte-americanos não estão na posição de nos dizer para não lançarmos operações específicas, já que eles utilizam esse método no Iraque e no Afeganistão, às vezes contra dirigentes que não tocaram em um fio de cabelo de um soldado norte-americano’’, disse Hanegbi.
  ‘‘Os dois filhos de Saddam Hussein foram assassinados durante uma operação dirigida, quando era suficiente apenas esperar para capturá-los’’, acrescentou o ministro.
  Sharon afirmou que Arafat agora é ‘‘um homem marcado’’ e não tem nenhum seguro de vida, em uma entrevista publicada sexta-feira pela imprensa israelense.
  ‘‘Eu não lhe diria para sentir-se protegido. Eu não o proporia a nenhuma companhia de seguros de vida’’, declarou Sharon ao jornal Haaretz.
  ‘‘Quem mata um judeu, ataca um cidadão israelense ou manda alguém matar judeus é um homem marcado’’, acrescentou Sharon.
  Por outro lado, os confrontos continuaram. Soldados israelenses mataram dois palestinos na noite de sexta-feira em Gaza, perto do acampamento de refugiados de Bureij e ao norte da cidade, segundo fontes dos serviços de segurança palestinos.
  Na Cisjordânia, um colono israelense foi assassinado por um palestino, que mais tarde foi morto por soldados israelenses, em Avnei Hefetz, perto de Tulkarem, segundo um porta-voz militar.

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