Menahem Kahana/France PresseFogo de guerraEm Belém, manifestantes agiram ontem pelo sexto dia consecutivo, alimentando com violência a fogueira das divergências O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente palestino Yasser Arafat deixaram a porta aberta ontem para uma cúpula da crise depois de seis dias de confrontos na Cisjordânia. Nas cidades de Belém e Hebron, tropas israelenses feriram dezenas de palestinos que protestavam, ateando fogo em pneus e objetos nas ruas, pela decisão de Netanyahu de dar início à construção de um assentamento judeu na árabe Jerusalém Oriental. Os soldados dispararam gás lacrimogêneo e balas de borracha a fim de dispersar os manifestantes que jogavam pedras.
Arafat, numa visita à Capital de Sri Lanka, Colombo, disse que estava preparado para reunir-se com Netanyahu desde que o objetivo do encontro fosse discutir a paz e não fazer uma jogada de propaganda. ‘‘Por que não? Se for pela paz, estou pronto, mas se é para fazer propaganda, seria algo diferente’’, afirmou Arafat a repórteres.
Autoridades dos EUA disseram que estava sendo considerado o envio do negociador do Oriente Médio Dennis Ross numa missão de paz à região, mas a questão ainda estava longe de ser decidida. O chefe de comunicações de Netanyahu, David Bar-Illan, afirmou que Bibi aceitaria participar da cúpula com Arafat desde que a questão da segurança estivesse no topo da agenda.
‘‘Não estamos obviamente rejeitando qualquer idéia de um encontro mas esperamos que se tal reunião ocorrer, ela irá concentrar-se em questões de segurança e terrorismo’’, disse Bar-Illan a repórteres. Palestinos rejeitam qualquer pré-condição e afirmam que os dois lados devem conversar sobre outros assuntos além de segurança.
No Egito, cerca de mil estudantes egípcios promoveram uma passeata no lado de fora do campus da Universidade do Cairo para protestar pelas políticas de Israel. A polícia antimotim os forçou a voltarem para o interior do campus.
Encerrando uma visita ao Sri Lanka, Arafat afirmou que a Autoridade Palestina agirá contra aqueles que se opuserem à lei, incluindo o principal grupo militante islâmico, o Hamas. Ele acusou Israel de fomentar o confronto entre grupos palestinos. ‘‘O governo israelense está desejando que ocorra instabilidade e confronto entre os palestinos, uma guerra civil, o que não podemos aceitar’’, disse Arafat quando perguntado sobre a exigência de Israel de que ele reprima grupos militantes.
O dirigente palestino chegou ao Sri Lanka procedente do Paquistão, onde participou em um encontro da Organização da Conferência Islâmica, e partiu para Bangladesh.
BloqueiosO movimento Fatah, de Arafat, revoltado com o início da construção das 6.500 moradias para judeus na Jerusalém Oriental, pediu aos palestinos para confrontarem a atividade de assentamento israelense com protestos não-violentos e bloqueando estradas usadas por colonos judeus na Cisjordânia. ‘‘Nosso objetivo é levantar nossa voz para o mundo contra a atividade de assentamento. Mas não estamos chamando à violência’’, afirmou o porta-voz da Fatah, Mahmoud Jasser. Os palestinos negam acusação feita por Netanyahu de que Arafat deu ‘‘luz verde’’ a militantes islâmicos para promoverem ataques.

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