Arafat e Barak sofrem pressão pelo acordo
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terça-feira, 11 de julho de 2000
Agência Estado De Washington 
Com encontros separados com o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, o presidente Bill Clinton iniciou ontem à tarde negociações cruciais para tentar chegar a acordo definitivo de paz no Oriente Médio, lembrando aos dois líderes que o sucesso de suas conversações dependerá de sua disposição de fazer concessões e de aceitar soluções de compromisso sem trair princípios.
Os dois líderes sentem o peso da história, mas ambos, eu creio, também reconhecem que esse é um momento histórico que eles devem abraçar, afirmou Clinton.
No final da tarde, o presidente americano e seus dois hóspedes sentaram-se para a primeira rodada trilateral de negociações. Estas deverão ser seguidas por reuniões mais técnicas e, dependendo do andamento das conversas, novos encontros entre os três líderes. Equipes de oito negociadores acompanham Arafat e Barak em Camp David. Clinton, a secretária de Estado, Madeleine Albright, e o embaixador especial da Casa Branca para o Oriente Médio, Dennis Ross, atuarão como mediadores nesta primeira rodada, que tem duração mínima estimada de oito dias.
O significado histórico desta cúpula é sublinhado pelo local escolhido por Clinton para tentar a pacificação entre israelenses e palestino. Em 1978, Camp David foi o palco das negociações que sacramentaram a paz entre Israel e o Egito e abriram o caminho para o entendimento entre Israel, de um lado, e, de outro, seus vizinhos árabes bem como os 3 milhões de palestinos que vivem na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, territórios que foram ocupados pelas tropas israelenses na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Se os entendimentos terminarem com um desfecho positivo, ficará faltando apenas um acordo entre Israel e a Síria para a pacificação da região.
Tecnicamente, o objetivo das conversações iniciadas ontem é completar a execução dos termos do acordo de Oslo, que israelenses e palestinos negociaram em 1993, sob os auspícios da Casa Branca, antes do dia 13 de setembro. Esta é a data-alvo para a criação de um Estado palestino nos territórios ocupados.
Arafat convenceu Clinton a convocar as negociações ameaçando proclamar unilateralmente a criação do Estado palestino com fronteiras definidas pela resolução 242 das Nações Unidas, de 1967, que condenou a ocupação da Cisjordânia e de Gaza por Israel e estipulou a entrega desses territórios como condição para a paz.
Para Clinton, trata-se da cartada diplomática mais ambiciosa e arriscada de seus sete anos e meio no poder. O sucesso significará um lugar respeitável na história, como o presidente que concluiu a paz no Oriente Médio. O fracasso pode ter consequências negativas para a campanha presidencial de seu vice e herdeiro político, Albert Gore.
Declarações, gestos e eventos dos últimos dias deixaram a impressão de que Arafat estará mais pressionado para fazer concessões do que Barak. A fragilidade política do líder israelense contribui para isso. Três dos seis partidos da coalizão que apóia o governo de Barak no Knesset, o parlamento de Israel, retiraram seu apoio por discordar de sua decisão de negociar os termos finais do acordo de Oslo com Arafat, desocupando até 90% da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Arafat sabe, hoje mais do que nunca, que não haverá um primeiro-ministro mais determinado do que Barak a pôr fim a este conflito, disse o ministro da Imigração de Israel, Yuli Tamir.
O porta-voz paletino, Hana Ashrawi, discordou que a desocupação parcial de parte dos territórios tomados por Israel, e sua disposição de entregar até 90% da Cisjordânia e da Palestina, representem concessões por parte de Israel. Estamos falando de territórios ocupados e que representam apenas 22% da Palestina histórica, disse Ashrawi. Na verdade, nós, palestinos, já fizemos todas as concessões, afirmou. Nós somos a potência ocupada, não ocupamos Israel, não enviamos colonos aos territórios ocupados, não anexamos seu território nem sitiamos suas cidades.


