Gaza - O presidente palestino, Yasser Arafat, disse ontem que não tem nenhum interesse especial em manter uma reunião com o enviado americano William Burns, que na sexta-feira começou no Cairo uma viagem por 12 países da região.
''Não tenho nenhuma necessidade de me reunir ou de falar com ninguém. Vocês estão falando com Yasser Arafat'', declarou o governante palestino em uma breve entrevista à imprensa na cidade cisjordaniana de Ramala.
Arafat respondia às informações procedentes de Washington sobre o fato de Burns, subsecretário de Estado para o Oriente Médio, não se reunir com ele quando visitar os territórios da Autoridade Nacional Palestina (ANP).
A missão de Burns é apresentar o ''mapa de estradas'' do presidente dos EUA, George W. Bush, com o fim de resolver o conflito entre palestinos e israelenses em 2006, seguindo um plano de três fases que prevê a criação de um Estado palestino independente com fronteiras provisórias.
Antes de chegar a Israel e à ANP, o enviado americano visitará vários países árabes vizinhos.
No sábado, depois de uma rodada de consultas com seus ministros e conselheiros, Arafat decidiu formar uma delegação especial para receber Burns, com o que anulava as ameaças de boicote que vários líderes palestinos fizeram.
Em suas declarações de ontem, o presidente da ANP limitou-se a exigir que os EUA façam cumprir seus próprios apelos a Israel para que retire suas forças dos territórios autônomos palestinos que ocupou nestes dois últimos anos.
''Onde está essa retirada imediata dos territórios palestinos ocupados, que até agora não vimos, onde está o plano de George Tennet (chefe da CIA e mediador entre palestinos e israelenses), que até agora não foi aplicado?'', perguntou Arafat de forma retórica.
O presidente da ANP concluiu a entrevista com uma pergunta aos Governos estrangeiros e organizações internacionais: ''Como pode a comunidade internacional permitir tanta destruição ao meu redor, tanta destruição da infra-estrutura palestina em aldeias e cidades?''.

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