Cidade de Gaza - Três palestinos feridos por disparos das forças israelenses e um quarto que tentava infiltrar-se no norte da Faixa de Gaza morreram ontem, ao mesmo tempo em que o presidente da Autoridade Palestina Yasser Arafat se mostrava satisfeito com as discussões mantidas por uma delegação palestina em Washington.
Iman Abu Maghasi, de 13 anos, ferido em 7 de agosto passado por uma bala na cabeça, morreu, assim como Jader al Saidi, de 67 anos, ferido em um ataque em 22 de julho passado. Com sua morte, sobe para 16 o número de pessoas falecidas no ataque em que morreu o chefe do grupo radical Hamas, Salá Shehadé.
Na noite de sexta-feira, Hassan Ali Al Assi, de 23 anos, faleceu em consequência dos ferimentos recebidos um dia antes, em um ataque israelense. Ainda não se revelou a identidade do palestino que tentou se infiltrar com granadas que explodiram ontem quando efetivos israelenses dispararam contra ele.
Ainda ontem, um palestino que circulava de carro por Nablus (norte da Cisjordânia) morreu quando um tanque israelense disparou contra seu veículo.
Ahmad Kreni, de 54 anos, percorria o centro da cidade quando foi atingido por um disparo na cabeça. Morreu um pouco depois de chegar ao hospital. O exército assinalou que as circunstâncias do incidente serão averiguadas, mas que o toque de recolher estava em vigor no momento dos disparos.
Esta morte eleva para 2.436 pessoas o número de mortos desde o início da segunda intifada, em setembro de 2000. Na Cisjordânia, o exército israelense prendeu sete palestinos e levantou o toque de recolher até o anoitecer nas cidades de Jenín, Ramallah, Belém e Kalkiliya.
O exército reocupou sete das oito grandes cidades autônomas palestinas da Cisjordânia, desde que foi lançada a operação, em 19 de junho, em consequência de dois violentos atentados palestinos.
Desde então, cerca de 800 mil palestinos vivem sob toque de recolher, medida que é suspensa durante algumas horas para que as pessoas possam fazer compras.
No plano diplomático, Arafat classificou, na noite de sexta-feira, de ''positivos'' os contatos mantidos na capital americana por uma delegação oficial palestina formada pelo negociador Saeb Erakat e os ministros do Interior, Abdelrazek al Yahya, e da Economia, Maher al Masri.
Arafat também disse que ''especialistas americanos, egípcios e jordanianos devem chegar para treinar os serviços de segurança palestinos''. Segundo uma fonte oficial em Gaza, Erakat e Yahya têm prevista uma conferência com o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), George Tenet, na qual discutirão as reformas dos serviços de segurança palestinos.
Os contatos que vêm sendo feitos entre americanos e palestinos são os de maior importância desde o discurso de Bush, em 24 de junho, no qual pediu que Arafat seja afastado do poder e sejam realizadas eleições para a formação de uma nova direção palestina ''não comprometida'' com o terrorismo.

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