O presidente da Autoridade Palestina Yasser Arafat declarou ontem no Cairo ‘‘que o povo palestino não cederá um centímetro’’, depois dos bombardeios de sexta-feira da aviação israelenses nos territórios ocupados.
Ontem, helicópteros de combate israelenses atacaram a sede da Autoridade Palestina na cidade autônoma de Jenin e dos serviços de segurança palestinos em Tulkarem, na Cisjordânia, informaram testemunhas, em um dia em que três palestinos morreram por disparos do exército.
‘‘Aviões militares são utilizados contra nossas cidades. O povo palestino não cederá um centímetro. Continuaremos juntos no caminho até que possamos orar na mesquita de Al-Aqsa’’ (em Jerusalém), declarou à imprensa antes de uma reunião do comitê ministerial de acompanhamento da Liga Árabe.
Também no Cairo, o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Mussa, pediu ontem ‘‘proteção internacional urgente’’ para os palestinos frente aos ‘‘crimes de guerra’’ israelenses, em um comunicado à imprensa.
‘‘É necessária uma intervenção internacional rápida para pôr fim às matanças organizadas (...) e uma proteção internacional urgente (dos palestinos) para fazer frente aos crimes de guerra cometidos contra os civis’’, declarou Mussa.
O ministro palestino da Informação Yasser Abed Rabbo, por sua vez, acusou ontem, em um comunicado, os Estados Unidos de serem ‘‘o principal responsável pela agressão israelense’’.
‘‘O ataque militar israelense de ontem (sexta-feira) não teria acontecido sem uma notificação prévia à administração americana’’, afirmou o comunicado publicado em Rammalha, na Cisjordânia.
‘‘Israel sempre considera uma notificação desse tipo para receber a aprovação dos Estados Unidos e continuar com seus atos de agressão’’, prosseguiu o ministro.
Abed Rabbo se referia aos bombardeios aéreos da véspera, deixando um saldo de 12 mortos, e que foram realizados, pela primeira vez no conflito nos territórios ocupados, com caça-bombardeiros F-16 de fabricação americana.
Um dos principais líderes do movimento integrista palestino Hamas na Cisjordânia, Khamal Salim, prometeu ontem que seu movimento responderá ‘‘bem rápido’’ aos bombardeios israelenses que mataram 12 palestinos.
‘‘O sangue dos mártires não será vertido em vão. A resposta virá muito em breve’’, ameaçou Khamal Salim através de alto-falantes, falando a uma multidão de milhares de pessoas que asssistiam em Nablus aos funerais dos palestinos, todos membros dos serviços de segurança.
O Hamas reivindicou o atentado suicida frente a um centro comercial de Netânia, em Israel, esta sexta-feira, o que deixou um saldo de seis mortos, entre eles o camicase palestino e mais de 100 feridos.
Em Moscou, o governo russo condenou ontem o uso por parte de Israel da aviação contra os palestinos, em resposta ao atentado contra um centro comercial de Netânia, recurso que não se pode ‘‘explicar nem justificar’’, segundo um comunicado do ministério das Relações Exteriores.

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