do Cairo
O líder palestino Yasser Arafat garantiu ontem que vai declarar a criação do estado palestino, independentemente da oposição de Israel. ‘‘O estado da Palestina não é uma questão israelense e sim árabe, internacional. Depois de alguns acordos provisórios, vamos declarar um estado palestino independente’’, afirmou Arafat na sede da Liga Árabe no Egito. Ele veio da Itália para uma reunião com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, e o secretário-geral da Liga Árabe, Esmat Abdel Meguid.
Arafat estava respondendo às declarações feitas na segunda-feira pelo premiê israelense, Benjamin Netanyahu, afirmando que o estado judeu reagiria severamente se Arafat declarasse um estado palestino na Cisjordânia e Faixa de Gaza. Sexta-feira Israel transferiu o controle da maior parte da cidade de Hebron para a Autoridade Palestina, que agora comanda a Faixa de Gaza e oito cidades da Cisjordânia.
A situação definitiva destas áreas, tomadas por Israel na Guerra dos Seis Dias em 1967, será determinada em negociações que devem terminar no máximo em maio de 1999. Arafat encara a criação do estado palestino como resultado natural das negociações de paz, enquanto Netanyahu acredita que seja um perigo para Israel. Outra divergência refere-se à Jerusalém Oriental, a parte árabe da cidade. Os palestinos a querem como capital de seu futuro estado, afirmando que a cidade faz parte das terras dominadas por Israel na guerra de 1967. Já os israelenses dizem que Jerusalém é a eterna capital do estado judeu.
Antes de embarcar para Gaza, Arafat disse aos jornalistas no aeroporto do Cairo que estava buscando apoio egípcio para a próxima etapa das conversações de paz. O Egito, que se considera um patrocinador não-oficial das conversações de paz do Oriente Médio, apóia os palestinos na questão de Jerusalém.
Libertação de presos A libertação das prisioneiras palestinas, entre elas a brasileira Lamia Maruf, volta a ocupar a imprensa israelense. O primeiro ministro de Israel, Benjamin Netaniahu, reiterou esta semana o compromisso de Israel de libertar as prisioneiras, porém não mencionou a data da libertação. A advogada Yossefa Pik, que visitou Lamia Maruf na prisão no início da semana, disse que ‘‘desta vez as perspectivas parecem boas, mas prefiro ver para crer’’. A advogada disse que, apesar da possibilidade da libertação iminente, Lamia prefere prosseguir com a sua rotina normal na prisão. Neste mês os muçulmanos comemoram o Ramadan e Lamia segue os preceitos da religião, observa o jejum durante o dia e só faz uma refeição, à noite.
Em seu discurso, ao entrar em Hebron, Yasser Arafat prometeu que as prisioneiras seriam libertadas em breve.

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