O presidente palestino Yasser Arafat acusou ontem, no Cairo, o exército israelense de intencionalmente matar os palestinos, ao ‘‘disparar contra suas cabeças’’ durante os violentos confrontos registrados em Jerusalém e nos Territórios Autônomos, segundo o secretário-geral da Liga Árabe Esmat Abdel Méguid.
‘‘Os soldados israelenses tinham instruções de apontar para a cabeça dos cidadãos e dos fiéis palestinos, durante os enfrentamentos de sexta-feira, em Jerusalém’’, declarou Arafat, citado por Abdel Méguid depois de sua entrevista na capital egípcia.
‘‘Arafat mostrou fotografias de soldados israelenses apontando seus fuzis, providos de miras, a fim de que os disparos contra os palestinos fossem mortais’’, acrescentou o secretário-geral, falando à agência egípcia MENA.
Arafat deixou o Cairo ontem, depois de conversar com o presidente egípcio Hosni Mubarak sobre o processo de paz no Oriente Médio e depois dos violentos enfrentamentos que deixaram até agora nove mortos e cerca de 220 feridos na Esplanada das Mesquitas.
O Egito ‘‘deplorou’’ ontem os sangrentos incidentes de Jerusalém, atribuindo a responsabilidade dos mesmos a Israel.
Em um comunicado divulgado ontem, a presidência egípcia pediu ao Estado Hebreu que tome as medidas necessárias para evitar a reprodução de tais incidentes, ocorridos por causa de atos de provocação de personalidades israelenses a quem não interessa a paz, em alusão à visita do chefe do Likud, Ariel Sharon, à Esplanada das Mesquitas.
A Administração Palestina convocou ontem uma greve geral em todos os territórios palestinos, em protesto contra os mortos nos incidentes.

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