Árabes repudiam Grande Jerusalém
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de julho de 1998
France Presse 
Amr Nabil/AFPCúpulaRei Hussein, da Jordânia, presidente egípcio Mubarak e presidente palestino Arafat insistem na retomada do processo de pazO presidente egípcio Hosni Mubarak, o rei Hussein da Jordânia e o chefe da Autoridade palestina Yasser Arafat, reunidos no Cairo, pediram ontem a Israel que anule imediatamente seu projeto de uma Grande Jerusalém. Num comunicado conjunto lido ao final da minicúpula pelo chanceler egípcio, Amr Mussa, os três dirigentes expressaram sua rejeição às tentativas de judaização de Jerusalém e reclamaram a anulação do projeto municipal de uma Grande Jerusalém, adotado em 21 de junho passado pelo governo israelense.
Também pediram que o governo israelense se abstenha de qualquer gestão para colocá-lo em andamento e acabe com a colonização, os confiscos de terras e a destruição de casas. Insistindo na necessidade de reiniciar o processo de paz, bloqueado desde março de 1997, e respeitar os acordos concluídos, os três dirigentes concordaram que é preciso dar uma oportunidade à iniciativa norte-americana para relançar as negociações.
A proposta norte-americana de uma retirada israelense de 13,1% da Cisjordânia, até agora rejeitada por Israel, foi aceita pelos palestinos. Da mesma forma, os três participantes na minicúpula deram seu apoio à iniciativa franco-egípcia de maio passado para celebrar uma conferência de países que querem salvar a paz.
A política israelense provocou o bloqueio total do processo de paz, que ameaça destruir qualquer oportunidade de conseguir uma paz justa e global na região e ameaça fazer voltar a violência, acrescenta o comunicado. A única maneira de salvar o acordo de paz passa pelo cumprimento completo e total por parte de Israel dos princípios da conferência de Madri de 1991, principalmente no que se refere a terra em troca de paz, assegura o texto.
Brincar com a questão de Jerusalém é brincar com fogo, declarou Mubarak na coletiva conjunta realizada depois do encontro. É uma questão muito delicada que deve ser examinada na fase final das negociações de paz israelense-palestinas. Segundo Mubarak, a atual situação é muito difícil. Temos uma explosão de violência e esperamos que o governo israelense compreenda isso porque se a violência começar, será muito difícil de controlar.
Egito, Jordânia e os palestinos se puseram de acordo para continuar com os esforços para reunir uma cúpula árabe, segundo um comunicado. Espero que esta reunião prepare uma cúpula árabe sobre a situação dos palestinos, especialmente em Jerusalém, que não apenas é a capital do Estado Palestino e sim que também abriga lugares sagrados muçulmanos e cristãos, declarou Arafat ante a imprensa, depois da reunião.
Ao ser indagado sobre uma possível cúpula árabe mais ampla, Mubarak contestou que, por ora, isso não parece necessário. Segundo ele, quando houver uma razão imperativa e todos estiverem num beco sem saída, uma cúpula árabe se tornará necessária.


