Árabes querem respeito ao Ramadã
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quinta-feira, 01 de novembro de 2001
France Presse<br>De Amã 
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, cujo objetivo era convencer a Síria, Arábia Saudita e Jordânia da necessidade de bombardear o Afeganistão, foi obrigado a ouvir as advertências destes países sobre os riscos da ofensiva liderada pelos Estados Unidos. Os dirigentes dos três países árabes falaram a Blair a respeito do impacto negativo que teria sobre os muçulmanos a continuação da campanha no Afeganistão durante o mês do jejum muçulmano do Ramadã, que começa a 17 deste mês, informou à AFP um responsável árabe. Os interlocutores de Blair lhe explicaram que a crescente hostilidade no mundo árabe e muçulmano aos bombardeios sobre o Afeganistão passaria a um tom grave se os ataques continuarem durante o Ramadã, precisou a fonte, que pediu anonimato.
A advertência mais firme veio de Damasco, onde Blair realizou a primeira visita de um dirigente britânico desde os anos quarenta.
Em uma coletiva de imprensa conjunta com Blair, o presidente sírio Bachar al Assad afirmou: ''Não podemos separar o terrorismo mundial do terrorismo israelense praticado contra os palestinos''.
A Arábia Saudita também demonstrou preocupação em relação às vítimas civis no Afeganistão, durante a visita de Blair a Riad. O príncipe herdeiro Abdallah ben Abdel Aziz advertiu que esta campanha militar provocaria uma maior hostilidade no mundo muçulmano.
MubarakO presidente egípcio, Hosni Mubarak, declarou ontem, em Madri, seu desejo de que os bombardeios norte-americanos sobre o Afeganistão terminem antes do mês do Ramadã. ''Espero que esta campanha termine antes do mês do Ramadã, mas quando há combates, operações militares, não podemos garantir qual será a situação militar e se as operações poderão parar sem que isso beneficie a outra parte'', disse em entrevista coletiva de imprensa junto do presidente espanhol, José María Aznar.
Mubarak descartou futuras operações militares contra outros países.
''Não acredito que haja interesse em abrir novas frentes (de combate). Isso não interessa a ninguém e certamente não à comunidade internacional'', assinalou.
Aznar destacou que ''o importante é acabar com o terrorismo'' e ressaltou que o conflito atual não é contra o mundo árabe nem contra o Islã.
Ambas as autoridades insitiram na necessidade da busca pela paz no Oriente Médio.
O presidente egípcio, que chegou ontem de manhã a Madri, vai participar hoje e amanhã na ilha de Mallorca (Baleares) do fórum consagrado ao diálogo euro-mediterrâneo.


