Árabes exigem a volta dos palestinos
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sexta-feira, 05 de janeiro de 2001
Associated Press Do Cairo 
Chanceleres da Liga Árabe reunidos ontem no Cairo expressaram firme oposição a um acordo de paz entre palestinos e israelenses tendo por base plena o plano apresentado pelo presidente norte-americano, Bill Clinton. Eles não aceitam concessões na reivindicação do direito do retorno dos refugiados a seus lugares de origem no Estado de Israel e de soberania integral sobre toda a Jerusalém Oriental.
A firmeza dos participantes, especialmente de Síria e Líbano, onde se encontram centenas de milhares de refugiados, dá pouca margem de manobra ao presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, caso sejam de fato retomadas as negociações de paz antes do fim do mandato de Clinton, no dia 20.
Israel não reconhece o direito de os refugiados voltarem às regiões das quais fugiram ou foram forçados a sair depois da criação do Estado judeu, em 1948. O governo israelense alega o retorno de milhões de refugiados poria em risco a existência do Estado judeu.
Quero enfatizar que o Líbano rejeitou totalmente a idéia de absorver permanentemente os refugiados palestinos e insiste no direito de retorno. Nós acreditamos que esse é um direito sagrado, afirmou o chanceler egípcio, Amr Moussa, que presidiu o encontro. Os palestinos não poderiam e acho que não vão aprovar o abandono desse direito.
Moussa ainda frisou que os palestinos não receberam garantias de ampla soberania sobre Jerusalém Oriental e os lugares sagrados para o islamismo. O plano de Clinton prevê a renúncia ao direito de retorno em troca do controle de lugares sagrados para os muçulmanos na Cidade Velha e a criação do Estado palestino em 95% da cisjordânia e toda a Faixa de Gaza.
No retorno à Cidade de Gaza, Arafat não fez comentários sobre a reunião, mas ressalvou que Moussa falou pelos palestinos. Ele acrescentou, porém, ter esperança de que um acordo possa ser alcançado antes do fim do mandato de Clinton.
Na quarta-feira, a Casa Branca anunciou que Arafat concordou em retomar negociações com base no plano de Clinton, embora com reservas..
O enviado especial do governo israelense, Gilead Sher, chegou ontem a Washington para inteirar-se das objeções palestinas. Acredito que se não alcançarmos um acordo, poderemos chegar a uma declaração fundamental de princípios que seria a base de um acordo, observou o chanceler israelense Shlomo Ben-Ami, chefe da delegação de seu país nas reuniões na Casa Branca que precederam a divulgação da proposta de Clinton.


