Os bombardeios da Aliança Atlântica na Iugoslávia causaram alarme e divisões no mundo árabe, com países como a Jordânia se manifestando a favor dos ataques da Otan e outros contra, entre eles Líbia e Argélia.
Se numa primeira leitura os ataques da Otan podem ser vistos pelos árabes como uma defesa dos kosovares muçulmanos frente aos sérvios cristão-ortodoxos, eles também representam um perigoso precedente de ações militares por parte de Estados Unidos e seus aliados, à margen da ONU.
Fora a Jordânia - cujo rei Abdallah II se colocou ontem abertamente ao lado da Otan e acusou a Sérvia de promover uma ‘‘limpeza étnica’’ em Kosovo - a maior parte dos países árabes não se manifestou sobre a crise.
Segundo analistas, esta atitude reflete confusão, indecisão e talvez cautela frente ao precedente.
Os governos da Argélia e Líbia se pronunciaram contra os ataques da Otan. O líder líbio, Mohammad Kadafi, os classificou acima de tudo de ‘‘ilegítimos’’, porque foram lançados à margem da ONU. Kadafi pediu a suspensão dos bombardeios que, segundo disse, ‘‘ameaçam a paz no Mediterrâneo e na Europa’’. No Iraque, primeiro país que condenou a ação da Otan contra a Iugoslávia, o governo afirmou que Milosevic aprendeu com o presidente iraquiano, Saddam Hussein, que já havia ousado desafiar os Estados Unidos.

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